sexta-feira, 28 de outubro de 2011

PARA UMA VELHICE DE QUALIDADE


Herminie-Louise Roth, de nacionalidade suíça, festejou os seus 100 anos a 17 de Abril de 1986, em pleno vigor de espírito e autonomia física.
Conhecendo o francês e o inglês, foi professora e secretária em Inglaterra, Estados Unidos, Haiti, Camarões, Suiça e França.
Dirigiu a instituição de convalescença 'Vie et Santé' na Argélia durante 7 anos.
Saídos da pena de Herminie-Louise Roth, os textos que aqui publicamos são, segundo as suas próprias palavras, 'o resultado de observações feitas ao vivo num lar para pessoas idosas de 1978 a 1983.'
Ela continua ligada a esse estabelecimento, situado em Oron (Vaud, Suiça), onde toma as suas refeições do meio-dia.

Não tenho segredo algum de longevidade, mas tenho uma linha de vida, um estilo de vida.
A vida permitiu-me conhecer muitos meios e as mais variadas espécies de situações. Desde a minha 1ª infância, os meus pais fizeram-me participar na vida corrente. Desde que fui capaz de escrever, pediram-me para escrever os endereços numa vintena de revistas 'Sinais dos Tempos' que o meu avô Roth expedia cada mês. O papel não tinha linhas, e era necessário escrever direito sem erros.
Aos 7 anos, o meu pai confiava-me um grande porta-moedas castanho que continha dinheiro e pedia-me para ir levá-lo ao Banco, que ficava do outro lado da rua, um pouco mais abaixo. O meu pai vigiava-me da janela para se certificar de que eu seguia as suas recomendações.
Aos 12 anos, a minha mãe pedia-me, de vez em quando, que preparasse o pequeno-almoço para a família. Além da bebida, era necessário cozinhar um cereal, pôr a mesa e ter tudo a horas.
Esta espécie de educação deu-me o gosto pelo esforço, por tarefas difíceis, e ajudou-me a compreender o sentido da responsabilidade.

Uma velhice de qualidade não é um presente. É preparada com muito tempo de antecedência. A velhice de qualidade não é apenas um período da vida, é também uma dimensão da vida. É o resultado de uma convicção e do esforço de vontade. É um estado de espírito. É também uma transposição, uma sublimação dos interesses materiais para os valores morais, espirituais e eternos.

'O irreparável ultrage dos anos' continuará a ser sempre uma fonte de sofrimento. Sem uma atitude positiva do espírito, sem uma disciplina mental e espiritual, a velhice pode ser um desmoronamento, uma tragédia.



Eis Alguns Elementos Que Podem Ajudar A Desenvolver
Uma Velhice De Qualidade

(a lista não é exaustiva e deve ser adaptada a cada situação)


CONTRA  A  CONCENTRAÇÃO  EM  SI  PRÓPRIO


1. Aceitar com contentamento o que não se pode mudar nem evitar.

2. Não 'ruminar' as suas preocupações, as suas dores, as suas decepções, as suas infelicidades.

3. Adaptar-se com maleabilidade e rapidez às circunstâncias, ao meio.

4. Evitar a 'doença da análise' que esteriliza toda a actividade.

5. Não pensar que se deve intervir em todas as conversações.

6. Não falar demais.

7. Saber ouvir os outros sem interromper.

8. Não carregar os seus discursos com pormenores inúteis, que fatigam e irritam os outros.

9. Não dizer tudo o que sabe, mas saber tudo o que diz.

10. Fugir da 'contradição sistemática': é uma arma de dois gumes.

11. Respeitar as opiniões do outros. Não ter ideias fixas.

12. O declínio das forças e da actividade pode fazer surgir uma necessidade de se valorizar; evite falar de si, relacionar tudo a si.

13. Não ser invasor, não se intrometer nos assuntos dos outros.

14. O velho egoísta que quer que os outros o sirvam priva-se de muitas alegrias.



EM  CONTACTO  COM  OS  OUTROS


1. Não ser curioso. Para quê, querer saber tudo, ver tudo, ouvir tudo?

2. Dominar a língua. A crítica, a maledicência, a calúnia afectam também a saúde do corpo.

3. Ver e contemplar o bem, o bom e o belo.

4. Não ser avarento a ponto de privar-se das coisas úteis.

5. Não suspeitar que os parentes aguardam a vossa partida para ter o que vos pertence.

6. Dominar o apetite. Parar de comer quando se tem ainda um pouco de fome. O domínio do apetite desempenha um papel de primeiro plano para a compreensão das coisas espirituais e para a formação dum carácter cristão.

7. Não se gastar ao tratar com as pessoas.

8. Modular a voz. Uma palavra mansa pode tornar-se dura devido ao tom com que é proferida.

9. Desfrutar de passatempos que não dependam de outros.

10. Vigiar as reacções do coração e da idade, para lhes dar uma dimensão conveniente, razoável. Evitar os excessos emotivos, afectivos, nervosos. Evitar também o desperdício de sensibilidade.

11. Conservar o domínio próprio até no modo de se apresentar e de se vestir.



ORGANIZAR  A  SUA  VIDA


1. Ter um programa de actividades para não ficar sobrecarregado, sob tensão.

2. Saber ocupar o tempo descontraidamente.

3. O desgaste do corpo pode afectar o bom discernimento. Perde-se o sentido das proporções. Deformam-se os factos. Bagatelas, futilidades tornam-se montanhas. Corre-se o risco de fazer 'hemorragias' nervosas.

4. Nunca perder essa maravilhosa primavera do espírito - o sorriso. O semblante que oferecemos aos outros reveste-se também de poderosa influência.

5. Gozar todas as alegrias do presente, mesmo pequenas, tendo em conta que todas as alegrias terrestres são imperfeitas.

6. Aprender a viver com as suas doenças. O corpo tem o direito de se sentir cansado e gasto, depois de tantos anos de serviço. É normal. Não exagerar as suas doenças nem aproveitar-se delas para atrair favores.

7. Fugir da inveja como de um veneno.

8. Um velho agressivo é como uma silva cheia de espinhos, põe a sua roupa às avessas a mostrar todas as costuras. Não é nenhuma virtude!

9. Mostrar-se amável e disponível para prestar serviço, mas não ser servil.

10. Não contar o que lhe falta. Sobretudo, não fazer disso um recital.

11. Alegrar o espírito. Enquanto é possível ainda fazê-lo, desembaraçar-se das coisas inúteis. Desprender-se. Liquidar os seus problemas. Sendo necessário tratar da sua sucessão.

12. Deixar as coisas antes que elas vos deixem.



CULTIVAR  O  ESPÍRITO


1. Lembrar-se de que a qualidade da velhice depende da reserva acumulada ao longo dos anos no espírito, na alma e no coração.

2. Ver menos os outros é por vezes melhor do que vê-los demais.

3. Se alguém tem reacções desagradáveis, não lhe manifestar antipatia.

4. Respeitar a dignidade da pessoa, seja qual for o seu estado. Salientar as doenças, as anomalias, pode fazer sofrer.

5. O silêncio é também uma solução.

6. Escrever uma lista dos seus defeitos pessoais. Esta introspecção pode ser salutar.

7. Continuar a cultivar o espírito. Estar em dia com a actualidade. Manter os pés no chão para a vida presente, mas julgar as coisas desta terra à luz da eternidade.


Saúde & Lar, Publicadora SerVir, Agosto de 1987



domingo, 16 de outubro de 2011

A SAÚDE DEPENDE DO ESTILO DE VIDA


(clique nas imagens para as aumentar - veja mais nos links - 3I)

HOSPITAL/UNIVERSIDADE DE LOMA LINDA - CALIFÓRNIA - ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA




O Dr. Llorca participou recentemente no Congresso Internacional de Nutrição que teve lugar em Washington, patrocinado pela Universidade de Loma-Linda (Califórnia). Assistiram especialistas de todo o mundo.

-SINAIS Dos TEMPOS: Qual foi o tema principal deste Congresso?

-Dr. Llorca: Falou-se sobretudo do facto de que a comunidade científica internacional está cada vez mais de acordo em que, uma alimentação rica em produtos de origem vegetal é uma garantia para a nossa saúde. A alimentação vegetariana é uma dieta pobre em gorduras, em proteínas, em sal, e rica em hidratos de carbono completos, que são as recomendações actuais de todos os grupos de investigação.

-Que vantagens traz à nossa saúde, fazer uma alimentação correcta?

-Na realidade este conceito é muito antigo: Hipócrates, o pai da medicina, já dizia "A tua alimentação é o teu remédio ... ". O que acontece é que durante muito tempo se pensou que o mais importante era a quantidade e a higiene dos alimentos, e não a qualidade.
Acontecia o mesmo com a origem das proteínas, os hidratos de carbono, as gorduras e as vitaminas. Ultimamente verificou-se que não era assim. O facto de a proteína ser animal, pressupõe à partida uma maior concentração de gorduras, um dos principais factores de doenças cardiovasculares.

As pessoas que fazem uma alimentação rica em gorduras e produtos animais, consomem, geralmente, menor quantidade de outros tipos de alimentos que são úteis e necessários: frutas, vegetais e cereais. Está demonstrado que as pessoas que fazem uma alimentação mais rica em vegetais, como cereais, legumes e hortaliças, frutas e verduras, gozam de mais saúde.

-Existe algum grupo da população no qual se possa comprovar os efeitos de uma tal alimentação?

-Fizeram-se estudos entre os hindus, que fazem uma alimentação à base de vegetais e bastante simples. À parte das doenças que podem contrair devido à sua pouca higiene, os hindus sofrem com menos frequência das doenças degenerativas típicas no ocidente: aterosclerose, artroses e artrites, etc.

Estudou-se também a alimentação do povo chinês, que contém 30% menos de gorduras e muito mais frutas e cereais do que, por exemplo, o povo americano. Este facto, adicionado a menos "stress" e menor consumo de tabaco, faz com que as doenças cardiovasculares sejam menos frequentes.

Mas, o grupo que mais interesse motivou por parte dos investigadores, foi o dos cristãos, membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Estas pessoas, fazem geralmente uma alimentação ovo-lacto-vegetariana, (alguns são mesmo vegetarianos puros, sem ovos, nem produtos lácteos), rica em cereais integrais, frutas e verduras; além disso praticam um estilo de vida são, isento de tabaco e bebidas alcoólicas. Tenho aqui, sobre a mesa, uma lista de 150 trabalhos publicados em revistas científicas de todo o mundo, nos quais se mostra que os adventistas gozam de mais saúde do que o resto da população: menos enfartes (aproximadamente menos 50% do que a população em geral); menos casos de cancro, tanto do pulmão, como do cólon e do estômago. Isto fez com que o Instituto Nacional do Cancro e o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, investisse milhões de dólares para estudar a razão desta situação. Este assunto foi muito referido no Congresso a que assisti.

-Estes Estudos fizeram-se somente nos Estados Unidos, ou existe, algum estudo, por exemplo, a nível da Europa?

-Existe sim. Na Noruega, na Polónia e na Holanda. Na Polónia, a esperança de vida para uma mulher não adventista, é de 70 anos. Para uma mulher adventista é de 75. Para um homem não adventista é de 62 anos, para um adventista é de 71,9, isto significa cerca de 10 anos mais de esperança de vida.

Estas diferenças por comparação foram feitas também entre adventistas e não adventistas na Noruega - a esperança de vida dos adventistas é de 5 anos mais. Na Holanda é de 6 anos mais. Entre os adventistas da Noruega, há 64% menos de doenças cardiovasculares do que a população em geral.

São muitas as publicações de organismos oficiais que citam o estilo de vida dos adventistas como um exemplo de vida sã. Recentemente, a Comunidade Europeia, publicou o chamado código europeu contra o Cancro, preparado por especialistas de oncologia dos países membros. Num dos seus parágrafos diz-se que "O cancro do aparelho digestivo é menos frequente entre os adventistas, cuja dieta é rica em frutas e vegetais, não incluindo tabaco, álcool ou café."



-Porque é que os adventistas fazem uma alimentação assim, basicamente vegetariana ou ovo-lacto-vegetariana?

-Os adventistas são um grupo de pessoas que atrai muito o estudo dos investigadores e epidemiologistas. Eles aguardam o segundo advento de Jesus Cristo, tal como Ele mesmo prometeu, para acabar definitivamente com a dor, a doença e o sofrimento que abunda neste mundo. Enquanto esperam esse acontecimento extraordinário, essa salvação, procuram cuidar do seu corpo e conservá-lo na melhor forma possível. Não somente o seu mas também o dos seus semelhantes. É um bom exemplo de equilíbrio entre a esperança e a acção, entre a crença e a prática.

Além desta razão de saúde os adventistas têm outras para fazerem uma alimentação simples e basicamente vegetal. Eles crêem que, tal como refere o Capítulo 1 do livro de Génesis, Deus criou o homem vegetariano. O regime que foi dado por Deus no princípio, consistia em frutas e cereais, e mais tarde Ele juntou as verduras. Esta é a alimentação ideal do ser humano. Para alguns isto pode parecer uma lenda, mas o facto é que tem uma base científica, e que funciona bem na prática. Os adventistas seguem tão de perto quanto possível os abundantes conselhos sobre Medicina Preventiva que estão contidos na Bíblia Sagrada.

Outra razão é de índole social. Para produzir 1.000 calorias de origem animal, são necessárias 10.000 calorias de origem vegetal sob a forma de rações à base de soja e grão, para alimentar os animais. A carne é um alimento muito caro, um luxo do ponto de vista ecológico. Para produzir uma quantidade relativamente pequena de carne, é necessário utilizar grandes quantidade de soja e de outros cereais, com os quais se pode alimentar muitas pessoas.

-É verdade que alguns alimentos podem reduzir o risco de contrair o cancro?

-Ultimamente fala-se muito de nutrientes anti-cancerígenos, que se encontram fundamentalmente no reino vegetal. Por exemplo a vitamina A: o seu precursor, o beta-caroteno, encontra-se na cenoura, tomate e vegetais coloridos. Esta provitamina é um potente anti-cancerígeno, possivelmente pelo seu efeito antioxidante. A vitamina A do reino animal, chamada retinol, sendo também oxidante, não tem o mesmo efeito. Acontece o mesmo com a vitamina C, que se encontra em todos os cítricos e também noutros vegetais, mas escasseia no leite e na carne. A vitamina E é outro antioxidante poderoso, que se encontra especialmente no gérmen dos cereais. Podíamos falar também dos inibidores das proteases, substâncias que abundam nos legumes, e que são potentes antioxidantes e anti-radicais livres; deste modo, bloqueiam os processos de oxidação e de formação de radicais livres nas células, um dos mecanismos pelo qual se crê o cancro é produzido.

Nos Estados Unidos fez-se um estudo chamado 'Dos Médicos', com o qual se quis provar que os médicos que fumam têm mais cancro do que os que não fumam. Com efeito, isso foi confirmado. Esse estudo foi continuado para saber se os fumadores, que fazem uma alimentação rica em frutas, verduras e em carotenos (pro-vitamina A), têm menos cancro do pulmão do que os fumadores que comem poucos vegetais. Isso foi confirmado.

-Que pode dizer-nos sobre a fibra vegetal de que tanto se fala?

-Como lhe dizia, o reino vegetal contém uma grande quantidade de substâncias protectoras contra o cancro e outras doenças degenerativas. Uma delas, que ainda não mencionámos até agora, é a fibra vegetal, que se encontra nos cereais integrais, nas frutas e nas verduras, mas não na carne, nem no peixe e nos ovos. Logo, as pessoas que fazem uma alimentação baseada nesse tipo de alimentos, não comem fibras suficientes e apresentam maior incidência de cancro do cólon, divertículos intestinais e outras doenças.

-Além da alimentação, que outros hábitos influem directamente na nossa saúde?

-Podemos dizer que a saúde de que dispomos, depende em grande parte dos nossos hábitos alimentares. Há um espaço muito pequeno para o acaso ou o azar. Há estudos feitos que mostram que mais de 50% das doenças de que sofremos têm que ver directamente com os nossos hábitos e costumes alimentares. A OMS (Organização Mundial de Saúde) definiu o tabaco como a principal causa de doença e mortalidade. Quanto ao álcool, a OMS define como bebedor de alto risco o que bebe mais de 50 gramas de álcool puro por dia. Demo-nos conta de que a cerveja, que se usa muito neste país, contém 70 ou mais gramas de álcool puro por litro. Isto quer dizer que num litro de cerveja, já foi largamente ultrapassado o limite de 50 gramas considerados de alto risco.

- Vale a pena cuidar da nossa alimentação e da nossa saúde. Não somente para viver mais anos, mas sobretudo, para vivê-los melhor. Muito obrigado, Dr. Llorca!

O Dr. Pere Llorca i Contel, espanhol, é especialista do Aparelho Digestivo (Gastroenterologista) e de Medicina Interna. Realizou estudos de especialização nos Estados Unidos, na Escola de Saúde Pública da Universidade de Loma Linda, onde obteve 'masters' em Nutrição, Epidemiologia e Educação, assim como um doutoramento em Medicina Preventiva.




A investigação científica demonstrou que uma combinação adequada de vegetais
proporciona uma proteína completa e do mais elevado valor biológico.



«A carne nunca foi o melhor alimento; o seu uso agora é, todavia, duplamente objectável, visto as doenças nos animais estarem aumentando com tanta rapidez. ...
«Os efeitos do regime cárneo podem não ser imediatamente evidentes; isto, porém, não é prova de que não seja nocivo. A poucas pessoas se pode fazer ver que é a carne que ingerem o que lhes tem envenenado o sangue e ocasionado os sofrimentos. Muito morrem de doenças inteiramente devidas ao uso da carne, ao passo que a verdadeira causa não é suspeitada nem por eles nem pelos outros.»


Ellen Gould White (1827-1915) in A Ciência do Bom Viver, Publicadora SerVir, Portugal