terça-feira, 31 de outubro de 2017


31 de OUTUBRO de 2017

CELEBRAÇÃO DOS 500 ANOS DA REFORMA PROTESTANTE



LUTERO PERANTE A DIETA


       Um novo imperador, Carlos V, tinha subido ao trono da Alemanha, e os emissários de Roma apressaram-se a apresentar as suas felicitações e a levar o monarca a usar o seu poder contra a Reforma. Por outro lado, o príncipe eleitor da Saxónia, a quem Carlos devia, em grande parte, a coroa, pedia-lhe para não dar nenhum passo contra Lutero antes de lhe ser dada oportunidade de ser ouvido. O imperador ficou assim colocado numa posição de grande indecisão e embaraço. Os adeptos do papa só ficariam satisfeitos com um édito imperial que ordenasse a morte de Lutero. O príncipe declarava firmemente que "nem sua majestade imperial, nem qualquer outra pessoa tinha demonstrado terem sido refutados os escritos de Lutero"; portanto, pedia "que o Dr. Lutero fosse provido de salvo-conduto, de maneira a poder comparecer perante um tribunal de juízes sábios, piedosos e imparciais." — D’Aubigné.
       A atenção de todos os partidos dirigia-se agora para a assembleia dos Estados alemães, que se reuniu em Worms logo após a ascensão de Carlos ao poder imperial. Havia questões importantes e interesses políticos a serem analisados por esse concílio nacional. Pela primeira vez, os príncipes da Alemanha deveriam encontrar-se com o seu jovem monarca numa assembleia deliberativa. De todas as partes do país tinham chegado os representantes da Igreja e do Estado. Fidalgos, de alta linhagem, poderosos e ciosos dos seus direitos hereditários, nobres eclesiásticos, envaidecidos com a consciência da sua superioridade social e do seu poder; membros da corte com os seus partidários armados e embaixadores de países estrangeiros e distantes, todos estavam reunidos em Worms. Contudo, naquela vasta assembleia, o assunto que despertava o mais profundo interesse era a causa do reformador saxónio.
       Carlos tinha previamente encarregado o príncipe eleitor de levar Lutero consigo à Dieta, assegurando-lhe protecção e prometendo uma livre discussão das questões em debate, com pessoas competentes. Lutero estava ansioso por comparecer perante o imperador. A sua saúde, naquela ocasião estava muito debilitada, mas apesar disso, escreveu ao eleitor: "Se eu não puder ir a Worms com boa saúde, serei levado para lá, doente como estou. Pois se o imperador me chama, não posso duvidar de que é o chamado do próprio Deus. Se desejarem usar de violência para comigo (o que é muito provável, pois não é para se instruírem que me ordenam que compareça), ponho o caso nas mãos do Senhor. Ainda vive e reina Aquele que preservou os três jovens na fornalha ardente. Se Ele não me salvar, a minha vida é de pouca importância. Vamos apenas evitar que o evangelho seja exposto ao escárnio dos ímpios, e, por ele, vamos derramar o nosso sangue, de preferência a deixar que eles triunfem. Não me compete decidir se a minha vida ou a minha morte contribuirá mais para a salvação de todos. ... Podem esperar tudo de mim ... excepto fuga e renúncia. Fugir, não posso, e menos ainda retractar-me." — D’Aubigné.
       Quando circularam em Worms as notícias de que Lutero deveria comparecer perante a Dieta, houve uma excitação geral. Aleandro, o delegado papal a quem o caso tinha sido especialmente confiado, estava alarmado e enraivecido. Via que o resultado seria desastroso para a causa papal. Instituir um inquérito sobre um caso em que o papa já tinha pronunciado a sentença de morte seria lançar o desdém sobre a autoridade do sumo pontífice. Além disso, estava apreensivo com o facto de que os eloquentes e poderosos argumentos daquele homem pudessem desviar muitos dos príncipes da causa do papa.
       Por isso, insistentemente, protestou junto Carlos contra o aparecimento de Lutero em Worms. Por esta altura foi publicada a bula que declarava a excomunhão de Lutero. Este facto, a acrescentar às reclamações do legado, levou o imperador a ceder. Escreveu ao príncipe eleitor dizendo que, se Lutero não se retractasse, deveria permanecer em Wittenberg.
       Não contente com esta vitória, Aleandro trabalhou com toda a sua força e astúcia para conseguir a condenação de Lutero. Com uma persistência digna da melhor causa, insistiu para que o caso fosse levado ao conhecimento dos príncipes, prelados e outros membros da assembleia, acusando o reformador de "sedição, rebelião e blasfémia." Mas a veemência e paixão manifestadas pelo legado revelaram de uma forma demasiado evidente o espírito que o impulsionava. "Ele é movido pelo ódio e vingança", foi a observação geral, "muito mais do que pelo zelo e piedade." — D’Aubigné. A maior parte dos membros da Dieta estava mais do que nunca inclinada a considerar favoravelmente a causa de Lutero.
       Com redobrado zelo, Aleandro insistia com o imperador sobre o dever de executar os éditos papais. Mas, pelas leis da Alemanha, não se poderia fazer isto sem o apoio dos príncipes. E, vencido, finalmente, pela insistência do legado, Carlos deu-lhe ordem para apresentar o seu caso à Dieta.
       "Foi um dia magnífico para o núncio. A assembleia era grandiosa; a causa ainda maior. Aleandro deveria defender a causa de Roma, ... mãe e senhora de todas as igrejas." Deveria reivindicar a soberania de Pedro perante os principados da cristandade, reunidos em assembleia. "Possuía o dom da eloquência e ergueu-se à altura da ocasião. Determinava a Providência que Roma aparecesse e pleiteasse pelo mais capaz dos seus oradores, na presença do mais augusto tribunal, antes de ser condenada." — Wylie.
       Com alguns receios, os que favoreciam o reformador anteviam o efeito dos discursos de Aleandro. O príncipe eleitor da Saxónia não estava presente, mas por sua ordem alguns dos seus conselheiros estavam presentes para tomar notas do discurso do núncio.
       Com todo o prestígio do saber e da eloquência, Aleandro pôs-se a derrubar a verdade. Lançou acusação sobre acusação contra Lutero, como um inimigo da Igreja e do Estado, dos vivos e dos mortos, do clero e dos leigos, dos concílios e dos cristãos em geral. "Nos erros de Lutero há o suficiente", declarou ele, para assegurar a queima de "cem mil hereges."
       Em conclusão, esforçou-se por lançar o desprezo aos adeptos da fé reformada: "O que são estes luteranos? Um grupo de mestres insolentes, padres corruptos, monges dissolutos, advogados ignorantes e nobres degradados, juntamente com o povo comum a quem desviaram e perverteram. Quão superior lhes é o grupo católico em número, competência e poder! Um decreto unânime desta ilustre assembleia esclarecerá os simples, avisará os imprudentes, levará os indecisos à decisão e fortalecerá os fracos." — D’Aubigné.
       Com armas destas, os defensores da verdade têm sido atacados, em todas as épocas. Ainda são apresentados os mesmos argumentos contra todos os que ousam mostrar os simples e directos ensinos da Palavra de Deus, contra erros estabelecidos. "Quem são estes pregadores de novas doutrinas?", exclamam os que desejam uma religião popular. "São incultos, pouco numerosos, e pertencem às classes pobres. Contudo pretendem ter a verdade e ser o povo escolhido de Deus. São ignorantes e estão enganados. Quão superior em número e influência é a nossa igreja! Quantos homens grandes e ilustres existem entre nós! Quanto mais poder há do nosso lado!" São estes os argumentos que têm influência decisiva sobre o mundo. Mas não são mais determinantes hoje do que nos dias do reformador.

       A Reforma não terminou com Lutero, como muitos supõem. Continuará até ao fim da história deste mundo. Lutero teve uma grande obra para fazer, transmitindo a outros a luz que Deus permitira que brilhasse sobre ele. Contudo, não recebeu toda a luz que deveria ser dada ao mundo. Desde aquele tempo até hoje, nova luz tem estado continuamente a resplandecer sobre as Escrituras, e novas verdades têm estado a ser constantemente desvendadas.
       O discurso do legado impressionou profundamente os membros da Dieta. Não estava presente nenhum Lutero, com as claras e convincentes verdades da Palavra de Deus, para derrotar o defensor papal. Não foi feita nenhuma tentativa para defender o reformador. Era manifesta a disposição geral de não só o condenar, bem como às doutrinas que ele ensinava, mas, se possível, arrancar a heresia pela raiz. Roma dispusera da mais favorável oportunidade para defender a sua causa. Tudo que ela poderia ter dito em sua própria defesa, fora dito. Mas a aparente vitória foi o sinal da derrota. Dali em diante, o contraste entre a verdade e o erro seria visto mais claramente, ao entrarem na luta em campo aberto. Nunca mais, desde aquele dia, Roma se haveria de sentir tão segura como tinha estado.
       Embora a maior parte dos membros da Dieta não tivesse hesitado em entregar Lutero à vingança de Roma, muitos viam e deploravam a depravação que existia na igreja, e estavam desejosos de acabar com os abusos, de que o povo alemão era vítima, em consequência da corrupção e da cobiça da hierarquia. O legado tinha apresentado o dogma papal sob a luz mais favorável. O Senhor então influenciou um membro da Dieta a dar uma correcta descrição dos efeitos da tirania papal. Com nobre firmeza, o Duque Jorge da Saxónia levantou-se naquela assembleia de príncipes e enumerou, com extrema precisão, os enganos e as abominações do papado e os seus terríveis resultados. E ao concluir disse:
       "Estes são alguns dos abusos que clamam contra Roma. Toda a vergonha foi posta de parte, e o seu único objetivo é ... dinheiro, dinheiro, dinheiro, ... de maneira que os pregadores que deveriam ensinar a verdade, não dizem senão falsidades, e não só são tolerados mas recompensados, porque quanto maiores forem as suas mentiras, tanto maior será o seu lucro. É dessa fonte impura que saem essas águas contaminadas. A devassidão estende a mão à avareza. ... Ai! É o escândalo causado pelo clero que lança tantas pobres almas na condenação eterna. Deve ser efetuada uma reforma geral." — D’Aubigné.
       Nem o próprio Lutero poderia ter feito uma denúncia mais hábil e convincente contra os abusos papais. E o facto de o orador ser um decidido inimigo do reformador deu ainda maior influência às suas palavras.

       Se os olhos dos que constituíam a assembleia fossem abertos, teriam visto anjos de Deus entre eles, derramando raios de luz através das trevas do erro e abrindo mentes e corações à recepção da verdade. Era o poder do Deus da verdade e da sabedoria que controlava os adversários da Reforma, preparando assim o caminho para a grande obra que estava prestes a realizar-se. Martinho Lutero não estava presente. Mas a voz de Alguém, maior do que Lutero, fora ouvida naquela assembleia.

       De imediato a Dieta designou uma comissão para apresentar um relatório das opressões papais que de uma forma tão esmagadora pesavam sobre o povo alemão. Esta lista, contendo cento e uma discriminações, foi apresentada ao imperador, com o pedido de que ele tomasse medidas imediatas para a correção daqueles abusos. "Que perda de almas cristãs", diziam os suplicantes, "que depredações, que extorsões, por causa dos escândalos de que se acha rodeada a cabeça espiritual da cristandade! É nosso dever evitar a ruína e desonra do nosso povo. Por isso, nós, com muita humildade, mas com muita insistência, vos rogamos que ordene uma reforma geral e empreenda a sua realização." — D’Aubigné.
       O concílio pediu então a comparência do reformador na sua presença. Apesar dos rogos, protestos e ameaças de Aleandro, o imperador finalmente consentiu, e Lutero foi intimado a comparecer perante a Dieta. Com a intimação, foi enviado um salvo-conduto, assegurando o seu regresso a um lugar seguro. Ambos foram levados a Wittenberg por um arauto que estava incumbido de conduzir o reformador a Worms.
       Os amigos de Lutero estavam aterrorizados e angustiados. Sabendo do preconceito e inimizade que havia contra ele, temiam que mesmo o salvo-conduto não fosse respeitado, e pediam-lhe que não pusesse a sua vida em perigo. Ele replicou: "Os sectários do papa não desejam a minha ida a Worms, mas sim a minha condenação e morte. Não importa. Não orem por mim, mas pela Palavra de Deus. ... Cristo dar-me-á o Seu Espírito para vencer esses ministros do erro. Desprezo-os durante a minha vida. Triunfarei sobre eles pela minha morte. Estão atarefados em Worms com o intuito de me obrigarem a renunciar, e esta será a minha retractação: anteriormente eu dizia que o papa era o vigário de Cristo; hoje assevero ser ele o adversário de nosso Senhor e o apóstolo do diabo." — D’Aubigné.

       Lutero não deveria fazer sozinho a sua perigosa viagem. Além do mensageiro imperial, três dos seus amigos mais dedicados decidiram acompanhá-lo. Melancton insistiu em unir-se a eles. O seu coração estava ligado ao de Lutero, e ansiava segui-lo, se necessário, até à prisão ou à morte. Os seus rogos, porém, não foram atendidos. Se Lutero perecesse, as esperanças da Reforma deveriam centralizar-se neste jovem colaborador. Quando se despediu de Melancton, o reformador disse: "Se eu não voltar e os meus inimigos me matarem, continua a ensinar e permanece firme na verdade. Trabalha em meu lugar. ... Se sobreviveres, será pequena a consequência da minha morte." — D’Aubigné. Estudantes e cidadãos que se tinham reunido para assistir à partida de Lutero ficaram profundamente comovidos. Uma multidão, cujo coração havia sido tocado pelo evangelho, despediu-se dele, com lágrimas. Assim, o reformador e os seus companheiros partiram de Wittenberg.
       Durante a viagem, aperceberam-se de que o espírito do povo estava oprimido com tristes pressentimentos. Nalgumas cidades, não lhe eram prestadas nenhumas honras. Quando pararam para o repouso, um padre amigo exprimiu os seus temores, segurando diante de Lutero o retrato de um reformador italiano que tinha sofrido o martírio. No dia seguinte, souberam que os escritos de Lutero haviam sido condenados em Worms. Mensageiros imperiais estavam a proclamar o decreto do imperador, e apelando ao povo para trazerem aos magistrados as obras proscritas. O arauto, temendo pela segurança de Lutero no concílio e julgando que a sua resolução já pudesse estar abalada, perguntou se ele ainda desejava continuar em frente. Respondeu: "Embora interdito em todas as cidades, irei." — D’Aubigné.
       Em Erfurt, Lutero foi recebido com honras. Cercado de multidões que o admiravam, passou pelas ruas que ele já tinha muitas vezes atravessado com saco de pedinte. Visitou a sua capela no convento e pensou nas lutas pelas quais a luz que agora inundava a Alemanha se derramara na sua alma. Insistiram com ele para que pregasse. Ele tinha sido proibido de o fazer, mas o arauto autorizou-o, e o frade, que fora outrora o serviçal do convento, subiu agora ao púlpito.
       Então falou e uma multidão que ali se reunira, usando as palavras de Cristo: "Paz seja convosco!" "Filósofos, doutores e escritores", disse ele, "têm-se esforçado por ensinar aos homens o meio para se obter a vida eterna, e não o têm conseguido. Contar-vos-ei agora: ... Deus ressuscitou dos mortos um Homem, o Senhor Jesus Cristo, para que pudesse destruir a morte, extirpar o pecado e fechar as portas do inferno. Esta é a obra da salvação. ... Cristo venceu! Estas são as alegres novas e somos salvos pela Sua obra, e não pela nossa. ... Disse nosso Senhor Jesus Cristo: 'Paz seja convosco! Olhem para as Minhas mãos'; isto quer dizer: Olha, ó homem, fui Eu, Eu só, que te tirei o teu pecado e te resgatei; e agora tens paz, diz o Senhor."
       Continuou, mostrando que a verdadeira fé se manifestará através de uma vida santa. "Visto que Deus nos salvou, organizemos os nossos trabalhos de tal maneira que possam ser aceitáveis perante Ele. És rico? Que os teus bens ajudem nas necessidades dos pobres. És pobre? Que os teus serviços sejam aceitáveis aos ricos. Se o teu trabalho é útil apenas para ti, o serviço que pretendes prestar a Deus é uma mentira." — D’Aubigné.

       O povo ouvia, como que extasiado. O pão da vida fora partido para aquelas almas famintas. Perante elas, Cristo foi elevado acima de papas, legados, imperadores e reis. Lutero não fez referência alguma à sua posição perigosa. Não procurou fazer-se objeto dos pensamentos e simpatias. Contemplando Cristo, tinha perdido de vista o eu. Escondeu-se por detrás do Homem do Calvário, procurando apenas apresentar Jesus como o Redentor do pecador.
       Prosseguindo viagem, o reformador era olhado por toda a parte com grande interesse. Uma ávida multidão acotovelava-se ao seu redor, e vozes amigas advertiam-no dos propósitos dos romanistas. "Eles vos queimarão", diziam alguns, "e reduzirão vosso corpo a cinzas, como fizeram com João Huss." Lutero respondia: "Ainda que acendessem por todo o caminho de Worms a Wittenberg uma fogueira cujas chamas atingissem o céu, em nome do Senhor eu caminharia pelo meio delas; compareceria perante eles; entraria pelas mandíbulas desse hipopótamo e quebraria os seus dentes, confessando o Senhor Jesus Cristo." — D’Aubigné.
       A notícia de que estava a chegar a Worms criou uma grande comoção. Os seus amigos temiam pela sua segurança; os seus inimigos temiam pelo êxito da sua causa. Fizeram-se insistentes esforços para o dissuadir de entrar na cidade. Por instigação dos adeptos do papa, insistiu-se com ele para que se retirasse para o castelo de um amigo, onde, dizia-se, todas as dificuldades poderiam ser amigavelmente resolvidas. Os amigos esforçavam-se por despertar nele o medo, descrevendo os perigos que o ameaçavam. Todos os seus esforços falharam. Lutero, ainda inabalável, declarou: "Mesmo que houvesse tantos demónios em Worms como telhas nos telhados, eu entraria na cidade." — D’Aubigné.
       À sua chegada a Worms, junto às portas, reuniu-se uma vasta multidão para lhe dar as boas-vindas. A multidão que se tinha juntado para saudar o próprio imperador não tinha sido tão grande. A excitação foi intensa, e do meio da multidão, uma voz penetrante e lamentosa entoava um canto fúnebre como aviso a Lutero quanto à sorte que o esperava. "Deus será a minha defesa", disse ele, ao descer da carruagem.
       Os chefes papais não tinham acreditado que Lutero realmente se aventurasse a aparecer em Worms, e a sua chegada encheu-os de consternação. O imperador convocou imediatamente os seus conselheiros para considerarem o modo como deveriam agir. Um dos bispos, católico severo, declarou: "Temo-nos consultado durante muito tempo acerca deste assunto. Livre-se vossa majestade imperial, de uma vez, deste homem. Não fez Segismundo com que João Huss fosse queimado? Não somos obrigados a dar nem a observar o salvo-conduto de um herege." "Não!", disse o imperador; "devemos cumprir a nossa promessa." — D’Aubigné. Ficou, portanto, decidido que o reformador seria ouvido.
       Toda a cidade estava ansiosa por ver este homem notável, e rapidamente as estalagens se encheram de uma multidão de visitantes. Lutero acabava de se restabelecer de uma doença recente; estava cansado da viagem que levara duas semanas, tinha de se preparar para enfrentar os graves acontecimentos do dia seguinte e necessitava de sossego e repouso. Tão grande, porém, era o desejo de o verem, que ele apenas tinha descansado algumas horas quando, à sua volta, se reuniram avidamente nobres, intelectuais, sacerdotes e cidadãos. Entre estes estavam muitos dos nobres que tão ousadamente tinham pedido ao imperador uma reforma contra os abusos eclesiásticos e que, diz Lutero, "se tinham todos libertado pelo meu evangelho." — Vida e Tempos de Lutero, de Martyn.
       Inimigos, bem como amigos, foram ver o intrépido monge. Ele, porém, recebeu-os com uma calma inabalável, respondendo a todos com dignidade e sabedoria. O seu porte era firme e corajoso. O rosto, pálido e magro, marcado com os traços de trabalhos e doença, apresentava uma expressão amável e até mesmo alegre. A solenidade e profundo ardor das suas palavras conferiam-lhe um poder a que, até mesmo os seus inimigos, não podiam resistir totalmente. Tanto amigos como adversários sentiam grande admiração. Alguns estavam convictos de que ele era acompanhado por uma influência divina; outros declaravam, como fizeram os fariseus em relação a Cristo: "Ele tem demónio."
       No dia seguinte, Lutero foi chamado para se apresentar perante a Dieta. Designou-se um oficial imperial para o conduzir até ao salão de audiência. Contudo, foi com dificuldade que ele atingiu o local. Todas as ruas estavam cheias de espectadores, ansiosos por ver o monge que tinha tido a ousadia de resistir à autoridade do papa.
       Quando estava para entrar na presença dos seus juízes, um velho general, herói de muitas batalhas, disse-lhe amavelmente: "Pobre monge, pobre monge, vais agora assumir posição mais nobre do que eu ou quaisquer outros capitães já assumimos nas mais sangrentas das nossas batalhas! Mas, se a tua causa é justa, e estás certo disto, vai em frente, em nome de Deus, e não temas nada. Deus não te abandonará." — D’Aubigné.

       Finalmente, Lutero encontra-se perante o concílio. O imperador ocupava o trono. Estava rodeado das mais ilustres personagens do império. Nunca ninguém tinha comparecido perante uma assembleia mais importante do que aquela diante da qual Martinho Lutero deveria responder pela sua fé. "Aquela cena era, em si mesma, uma assinalada vitória sobre o papado. O papa tinha condenado o homem, e, agora, ali estava ele em pé, diante de um tribunal que, por esse mesmo ato, se colocava acima do papa. Este tinha-o posto sob interdição, separando-o de toda a sociedade humana e, no entanto, era chamado de uma forma respeitosa, e recebido perante a mais augusta assembleia do mundo. O papa tinha-o condenado ao silêncio perpétuo, e, agora, estava ali prestes a falar perante milhares de ouvintes atentos, vindos das mais distantes partes da cristandade. Desta forma uma imensa revolução tinha sido efectuada por intermédio de Lutero. Roma descia já do trono, e era a voz de um monge que determinava esta humilhação." — D’Aubigné.
       Na presença daquela poderosa assembleia de titulares, o reformador de origem humilde parecia intimidado e embaraçado. Vários dos príncipes, observando a sua emoção, aproximaram-se dele, e um segredou-lhe: "Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma." Outro disse: "Quando forem levados perante os governadores e reis por Minha causa, ser-vos-á ministrado, pelo Espírito do vosso Pai, o que deverão dizer." Assim, as palavras de Cristo foram usadas pelos grandes homens do mundo para fortalecerem o Seu servo na hora de prova.

       Lutero foi conduzido a um lugar bem em frente do trono do imperador. Sobre a assembleia ali congregada fez-se um profundo silêncio. Então, um oficial imperial se levantou-se e, apontando para uma colecção dos escritos de Lutero, pediu que o reformador respondesse a duas perguntas: Se ele os reconhecia como seus, e se estava disposto a retractar-se das opiniões que neles emitira. Lidos os títulos dos livros, Lutero respondeu, relativamente à primeira pergunta, que reconhecia que os livros eram seus. "Quanto à segunda", disse ele, "visto ser uma questão que respeita à fé e à salvação das almas, e que interessa à Palavra de Deus, o maior e mais precioso tesouro quer no Céu quer na Terra, eu agiria imprudentemente se respondesse sem reflexão. Poderia afirmar menos do que as circunstâncias exigem, ou mais do que a verdade requer, e, desta maneira, pecar contra estas palavras de Cristo: 'Qualquer que Me negar diante dos homens, Eu o negarei também diante de Meu Pai, que está nos Céus' (Mateus 10:33). Por isso, com toda a humildade, rogo a vossa majestade imperial que me conceda tempo para eu poder responder sem ofensa à Palavra de Deus." — D’Aubigné.
       Ao fazer este pedido, Lutero agiu prudentemente. A sua conduta convenceu a assembleia de que não estava a agir por paixão ou impulso. Semelhante calma e domínio próprio, inesperados em quem se mostrara audaz e inflexível, aumentaram o seu poder, habilitando-o mais tarde a responder com uma prudência, decisão, sabedoria e dignidade que surpreendiam e decepcionavam os seus adversários, e repreendeu a sua insolência e o seu orgulho.
       Deveria comparecer, no dia seguinte, para dar a resposta final. Durante algum tempo o seu coração cedeu, ao ver as forças que estavam unidas contra a verdade. A sua fé vacilou, sentiu receio e agitação, e foi dominado pelo pavor. Multiplicavam-se diante dele os perigos. Os seus inimigos pareciam estar a triunfar, e os poderes das trevas a prevalecer. Parecia que sobre ele baixavam nuvens que o separavam de Deus. Ansiava pela certeza de que o Senhor dos exércitos estaria com ele. Com uma profunda angústia de espírito, ajoelhou-se com o rosto no chão, derramando estes clamores entrecortantes, lancinantes, que ninguém, senão Deus, pode compreender perfeitamente:
       "Ó Deus, todo-poderoso e eterno", implorava ele, "quão terrível é este mundo! Eis que ele abre a boca para me engolir, e tenho tão pouca confiança em Ti. ... Se é unicamente na força deste mundo que eu devo pôr a minha confiança, tudo está acabado. ... Chegou a minha última hora, a minha condenação foi pronunciada. ... Ó Deus, ajuda-me contra toda a sabedoria do mundo. Faz isto, ... Tu somente; ... pois esta não é obra minha, mas Tua. Nada tenho a fazer por mim mesmo, e devo tratar com estes grandes do mundo. ... Mas a causa é Tua, ... e é uma causa justa e eterna. Ó Senhor, auxilia-me! Deus fiel e imutável, em homem algum ponho a minha confiança. ... Tudo o que é do homem é incerto, tudo o que vem do homem, falha. ... Escolheste-me para esta obra. ... Fica ao meu lado por amor do Teu bem amado Jesus Cristo, que é a minha defesa, o meu escudo e a minha torre forte." — D’Aubigné.

       Uma Providência omnisciente havia permitido a Lutero compreender o perigo, para que não confiasse na sua própria força, lançando-se presunçosamente ao encontro do perigo. Não era, contudo, o temor do sofrimento pessoal, o terror da tortura ou da morte, que parecia iminente, o que o oprimia com os seus horrores. Ele tinha chegado à crise, e sentia a sua insuficiência para a enfrentar. Pela sua fraqueza, a causa da verdade poderia ser prejudicada. Não era pela sua própria segurança, mas pela vitória do evangelho que ele lutava com Deus. A angústia e o conflito da sua alma foram como a de Israel, naquela luta nocturna, ao lado do solitário riacho. Como Israel, prevaleceu com Deus. No seu completo desamparo, a sua fé firmou-se em Cristo, o poderoso Libertador. Fortaleceu-se com a certeza de que não iria compareceria sozinho perante o concílio. A paz voltou à sua alma, e alegrou-se por lhe ser permitido exaltar a Palavra de Deus perante os governadores da nação.
       Com a sua mente repousada em Deus, Lutero preparou-se para a luta que estava diante dele. Meditou sobre o plano da sua resposta, examinou passagens dos seus próprios escritos e tirou das Sagradas Escrituras provas convenientes para sustentar a sua atitude. Então, pondo a mão esquerda sobre o volume Sagrado, que estava aberto diante dele, levantou a sua mão direita para o céu, e fez um voto de "permanecer fiel ao evangelho e confessar francamente a sua fé, mesmo que tivesse de selar com sangue o seu testemunho." — D’Aubigné.




Não perca o cântico final!!! - É Lindo... Lindo... Lindo... É mesmo o sentir do meu/creio que do nosso coração...
Apetece ouvir vezes sem fim... Parabéns ao seu autor! EE

       Ao ser de novo levado perante a Dieta, o seu rosto não apresentava sinais de receio ou embaraço. Calmo e cheio de paz, ainda que extraordinariamente forte e nobre, manteve-se como testemunha de Deus entre os grandes da Terra. O oficial imperial pediu então a sua decisão sobre se desejava retractar-se das suas doutrinas. Lutero respondeu num tom submisso e humilde, sem violência nem paixão. As suas maneiras eram tímidas e respeitosas; manifestou, contudo, confiança e uma alegria que surpreenderam a assembleia.
       "Sereníssimo imperador, ilustres príncipes, amáveis fidalgos", disse Lutero; "compareço neste dia perante vós, em conformidade com a ordem que me foi dada ontem, e pela graça de Deus conjuro vossa majestade e vossa augusta alteza a escutar, atenciosamente, a defesa de uma causa que, estou certo, é justa e verdadeira. Se, por ignorância, eu transgredir os hábitos e etiquetas das cortes, rogo-vos que me perdoem, pois não fui criado em palácios de reis, mas na reclusão de um convento." — D’Aubigné.
       Então, referindo-se à pergunta, declarou que as suas obras publicadas não eram todas do mesmo caráter. Em algumas havia tratado da fé e das boas obras, e mesmo os seus inimigos as declaravam não somente inofensivas, mas proveitosas. Abjurá-las, seria condenar verdades que todas as partes professavam. O segundo tipo consistia em escritos que expunham as corrupções e os abusos do papado. Revogar estas obras, fortaleceria a tirania de Roma, abrindo uma porta mais larga a muitas e grandes impiedades. No terceiro tipo dos seus livros atacara indivíduos que tinham defendido erros existentes. Em relação a eles, confessou, francamente, que tinha sido mais violento do que convinha. Não pretendia estar isento de falta, mas mesmo esses livros não poderia revogar, pois que tal procedimento tornaria audaciosos os inimigos da verdade, e então aproveitariam a ocasião para esmagar o povo de Deus com crueldade ainda maior.
       "Não sou, todavia, senão um mero homem, e não Deus", continuou ele; "portanto, defender-me-ei como fez Cristo: 'Se falei mal, dá testemunho do mal.' ... Pela misericórdia de Deus, conjuro-vos, sereníssimo imperador, e a vós, ilustríssimos príncipes, e a todos os homens de toda a categoria, a provar pelos escritos dos profetas e apóstolos, que errei. Logo que estiver convicto disso, retractarei todo o erro e serei o primeiro a pegar nos meus livros e a atirá-los ao fogo."
       "O que acabo de dizer mostra, claramente, espero eu, que pesei e considerei cuidadosamente os perigos a que me exponho. Mas, longe de me desanimar, regozijo-me por ver que o evangelho é hoje, como nos tempos antigos, causa de perturbação e dissensão. Este é o caráter, este é o destino da Palavra de Deus. 'Não vim trazer paz à Terra, mas espada', disse Jesus Cristo. Deus é maravilhoso e terrível nos Seus conselhos; tenham cuidado para que não aconteça que, supondo apagar dissensões, estejam a perseguir a santa Palavra de Deus e a atrair sobre vós mesmos um terrível dilúvio de perigos insuperáveis, de desastres presentes e desolação eterna. ... Poderia citar muitos exemplos dos oráculos de Deus. Poderia falar dos Faraós, dos reis da Babilónia e dos de Israel, cujos trabalhos nunca contribuíram mais eficazmente para a sua própria destruição do que quando procuravam, mediante conselhos, muito prudentes na aparência, fortalecer o seu domínio. Deus 'é O que transporta montanhas, sem que o sintam.'" — D’Aubigné.

       Lutero tinha falado em alemão. Foi-lhe pedido então para repetir as mesmas palavras em latim. Embora exausto pelo esforço anterior, aceitou e fez novamente o seu discurso, com a mesma clareza e energia que a princípio. A providência de Deus agiu neste caso. O espírito de muitos dos príncipes estava tão obstruído pelo erro e superstição que, à primeira vez não viram a força do raciocínio de Lutero. Mas a repetição deu-lhes a possibilidade de perceber claramente os pontos apresentados.
       Os que obstinadamente fechavam os olhos à luz e decidiram não se convencer da verdade, ficaram enraivecidos com o poder das palavras de Lutero. Quando acabou de falar, o porta-voz da Dieta, cheio de ira disse: "Não respondeste à pergunta feita. ... Exige-se que dês resposta clara e precisa. ... Retractar-te-ás ou não?"
       O reformador respondeu: "Visto que vossa sereníssima majestade e vossas nobres altezas exigem de mim resposta clara, simples e precisa, dar-vo-la-ei, e é esta: Não posso submeter a minha fé quer ao papa quer aos concílios, porque é claro como o dia, que eles têm frequentemente errado e entrado em contradição. Portanto, a menos que eu seja convencido pelo testemunho das Escrituras ou pelo mais claro raciocínio, a menos que eu seja persuadido por meio das passagens que citei, e a menos que assim submetam a minha consciência pela Palavra de Deus, não posso retractar-me e não me retractarei, pois é perigoso a um cristão falar contra a sua consciência. Aqui permaneço, não posso fazer outra coisa; Deus queira ajudar-me. Amém." — D’Aubigné.

       Assim se manteve este homem justo sobre o firme fundamento da Palavra de Deus. A luz do Céu iluminava-lhe o seu rosto. A sua grandeza e pureza de caráter, a paz e a alegria do seu coração, eram evidentes a todos quando testemunhava contra o poder do erro e dava provas da superioridade da fé que vence o mundo.
       Toda a assembleia ficou, durante algum tempo, muda de espanto. Na sua primeira resposta Lutero tinha falado em tom baixo, numa atitude respeitosa, quase submissa. Os romanistas tinham interpretado isto como um sinal de que começava a faltar-lhe o ânimo. Consideraram o pedido de espera como um simples prelúdio da sua retractação. O próprio Carlos, notando, meio desdenhoso, a constituição abatida do monge, o seu traje simples e a simplicidade das suas maneiras, declarara: "Este monge nunca fará de mim um herege." Mas a coragem e firmeza que ele agora demonstrara, bem como a força e a clareza do seu raciocínio, encheram de surpresa todas as partes. O imperador, cheio de admiração, exclamou: "Este monge fala com coração intrépido e coragem inabalável." Muitos dos príncipes alemães olhavam com orgulho e alegria para este representante da sua nação.
       Os partidários de Roma tinham sido vencidos. A sua causa parecia sob a luz mais desfavorável. Procuraram manter o seu poder, não apelando para as Escrituras, mas com recurso às ameaças — incontestável argumento de Roma. Disse o porta-voz da Dieta: "Se não se retractar, o imperador e os governos do império consultar-se-ão quanto à conduta a adotar contra o herege incorrigível."
       Os amigos de Lutero, que com grande alegria ouviram a sua nobre defesa, tremeram perante aquelas palavras; mas o próprio doutor disse calmamente: "Queira Deus ser o meu auxiliador, pois não posso retractar-me de coisa alguma." — D’Aubigné.

       Deram-lhe ordem para se retirar da Dieta, enquanto os príncipes se consultavam entre si. Pressentia-se que tinha chegado uma grande crise. A persistente recusa de Lutero em se submeter poderia afectar a história da Igreja durante séculos. Foi decidido dar-lhe mais uma oportunidade para poder renunciar. Pela última vez, foi levado à assembleia. Novamente lhe perguntaram se ele renunciaria às suas doutrinas. "Não tenho outra resposta a dar", disse ele, "a não ser a que já dei." Era evidente que ele não poderia ser induzido a render-se ao governo de Roma, quer por promessas quer por ameaças.
       Os chefes papais aborreceram-se pelo facto do seu poder, que tinha feito com que reis e nobres tremessem, fosse desprezado, dessa maneira, por um humilde monge. Ansiavam fazê-lo sentir a sua ira, destruindo a sua vida pela tortura. Lutero, porém, compreendendo o perigo, tinha falado a todos com uma dignidade e uma calma cristãs. As suas palavras tinham sido isentas de orgulho, paixão e falsidade. Tinha deixado de olhar para si próprio e para os grandes homens que o cercavam, e apenas sentia que estava na presença de Alguém infinitamente superior a papas, prelados, reis e imperadores. Cristo tinha falado através do testemunho de Lutero, com poder e grandeza tais que na ocasião causou espanto e admiração tanto a amigos como a adversários. O Espírito de Deus tinha estado presente naquele concílio, impressionando o coração dos dirigentes do império. Vários dos príncipes reconheceram ousadamente a justiça da causa de Lutero. Muitos estavam convencidos da verdade, mas, noutros, as impressões recebidas não foram duradouras. Houve outra classe que no momento não exprimiu as suas convicções, mas que, tendo pesquisado as Escrituras por si mesmos, posteriormente se tornaram destemidos defensores da Reforma.
       O eleitor Frederico tinha aguardado ansiosamente a comparência de Lutero perante a Dieta, e, com profunda emoção, ouviu o seu discurso. Com alegria e orgulho testemunhou a coragem, a firmeza e o domínio próprio do doutor, e decidiu permanecer mais firmemente em sua defesa. Ele analisava as facções em contenda, e via que a sabedoria dos papas, reis e prelados, fora, pelo poder da verdade, reduzida a nada. O papado sofrera uma derrota que seria sentida entre todas as nações e em todos os tempos.
       Quando o legado percebeu o efeito produzido pelo discurso de Lutero, temeu, como nunca antes, pela segurança do poder romano e resolveu empregar todos os meios ao seu alcance para destruir o reformador. Com toda a eloquência e capacidade diplomática, pelas quais tanto se distinguia, apresentou ao jovem imperador a loucura e o perigo de sacrificar, pela causa de um monge desprezível, a amizade e apoio da poderosa Santa Sé de Roma.
       As suas palavras não deixaram de produzir efeito. No dia que se seguiu à resposta de Lutero, Carlos fez com que fosse apresentada uma mensagem à Dieta, anunciando a sua resolução de prosseguir com a política dos seus predecessores, mantendo e protegendo a religião católica. Visto que Lutero se recusara a renunciar aos seus erros, seriam usadas as mais rigorosas medidas contra ele e contra as heresias que ensinava. "Um simples monge, transviado pela sua própria loucura, levantou-se contra a fé da cristandade. Para deter tal impiedade, sacrificarei os meus reinos, os meus tesouros, os meus amigos, o meu corpo, o meu sangue, a minha alma e a minha vida. Estou para despedir o agostinho Lutero, proibindo-lhe de causar a mais pequena desordem entre o povo. Procederei então contra ele e contra os seus adeptos como hereges contumazes, pela excomunhão, pela interdição e por todos os meios próprios para os destruir. Apelo para os membros dos Estados a que se portem como fiéis cristãos." — D’Aubigné. Não obstante, o imperador declarou que o salvo-conduto de Lutero deveria ser respeitado, e que, antes de se poder instituir qualquer processo contra ele, deveria ser-lhe permitido chegar a casa em segurança.
       Surgiram agora entre os membros da Dieta duas opiniões contrárias. Os emissários e representantes do papa pediam, de novo, que o salvo-conduto do reformador fosse desrespeitado. "O Reno", diziam eles, "deveria receber as suas cinzas, como recebeu as de João Huss, há um século." — D’Aubigné. Mas os príncipes alemães, embora eles próprios fossem romanistas e inimigos declarados de Lutero, protestavam contra essa atitude que destruía a confiança do povo, como uma nódoa sobre a honra da nação. Apontavam para as calamidades que se seguiram à morte de Huss e declaravam que não ousavam atrair sobre a Alemanha, e sobre a cabeça do seu jovem imperador, a repetição daqueles terríveis males.
       O próprio Carlos, respondendo à vil proposta, disse: "Ainda que a fé e a honra fossem banidas de todo o mundo, deveriam encontrar um refúgio no coração dos príncipes." — D’Aubigné. Houve ainda insistência por parte dos mais acérrimos inimigos papais de Lutero, para que o reformador fosse tratado como Segismundo tinha feito com Huss — abandonando-o à mercê da igreja. Mas lembrando-se da cena em que Huss, em assembleia pública, apontara para as suas cadeias e tinha lembrado ao monarca a sua fé empenhada, Carlos V declarou: "Eu não gostaria de corar como Segismundo." — (Ver História do Concílio de Constança, de Lenfant.)
       Contudo, Carlos tinha rejeitado deliberadamente as verdades apresentadas por Lutero. "Estou firmemente resolvido a imitar o exemplo dos meus antepassados", escreveu o monarca. Tinha decidido não sair da senda do costume, em vez de andar nos caminhos da verdade e da justiça. Uma vez que os seus pais o tinham feito, ele apoiaria o papado, com toda a sua crueldade e corrupção. Assim, assumiu a sua posição, recusando-se a aceitar qualquer luz em acréscimo à que os seus pais tinham recebido, ou a cumprir qualquer dever que eles não tenham cumprido.

       Muitos hoje agarram-se, de modo idêntico, aos costumes e tradições dos seus pais. Quando o Senhor lhes envia mais luz, recusam-se a aceitá-la porque, como não foi concedida aos seus pais, não foi acolhida por estes. Nós não estamos colocados onde os nossos pais estavam. Consequentemente, os nossos deveres e responsabilidades não são os mesmos. Não seremos aprovados por Deus olhando para o exemplo dos nossos pais a fim de determinar o nosso dever, em vez de pesquisarmos, por nós mesmos, a Palavra da verdade. A nossa responsabilidade é maior do que a dos nossos antepassados. Somos responsáveis pela luz que receberam, e que nos foi entregue como herança. Mas somos também responsáveis pela luz adicional, da Palavra de Deus, que hoje está a brilhar sobre nós.
       Disse Cristo acerca dos judeus incrédulos: "Se Eu não tivesse vindo, e não lhes tivesse falado, não seriam culpados. Mas agora o seu pecado não tem desculpa." (João 15:22, O Livro). O mesmo poder divino tinha falado por intermédio de Lutero, ao imperador e príncipes da Alemanha. E, ao resplandecer a luz da Palavra de Deus, o Seu Espírito contendeu pela última vez com muitos naquela assembleia. Como Pilatos, séculos antes, tinha permitido que o orgulho e a reputação fechassem o seu coração contra o Redentor do mundo; como o medroso Félix ordenou ao mensageiro da verdade: "Por agora podes ir. Quando eu puder, chamo-te outra vez" (Actos 24:25, BN); como o orgulhoso Agripa confessou: "Por mais um pouco convencias-me a fazer-me cristão!" (Atos 26:28, O Livro) e, no entanto, desviou-se da mensagem enviada pelo Céu, assim tinha Carlos V cedido às sugestões do orgulho e da política mundanos, decidindo-se a rejeitar a luz da verdade.

       Circularam rapidamente rumores dos planos feitos contra Lutero, causando por toda a cidade grande excitação. O reformador tinha conquistado muitos amigos que, conhecendo a traiçoeira crueldade de Roma para com todos os que ousavam expor as suas corrupções, resolveram que ele não seria sacrificado. Centenas de nobres comprometeram-se a protegê-lo. Muitas pessoas denunciaram abertamente a mensagem real como evidência de tímida submissão ao poder de Roma. Às portas das casas e em lugares públicos, foram afixados cartazes, alguns a condenar e outros a apoiar Lutero. Num deles estavam apenas escritas as significativas palavras do sábio: "Ai de ti, ó terra, cujo rei é criança!" (Eclesiastes 10:16). O entusiasmo popular em favor de Lutero, por toda a Alemanha, convenceu tanto o imperador como a Dieta de que qualquer injustiça que fosse praticada contra ele poria em perigo a paz do império e até mesmo a estabilidade do trono.
       Frederico da Saxónia manteve uma estudada reserva, escondendo cuidadosamente os seus verdadeiros sentimentos para com o reformador, enquanto que o guardava com incansável vigilância, observando todos os seus movimentos assim como os de todos os seus inimigos. Mas, eram muitos os que não faziam nenhuma tentativa para ocultar a sua simpatia por Lutero. Ele era visitado por príncipes, condes, barões e outras pessoas distintas, tanto leigas como eclesiásticas. "A salinha do doutor", escreveu Spalatin, "não podia conter todos os visitantes que ali iam." — Martyn. O povo olhava para ele como se fosse mais do que humano. Mesmo os que não tinham fé nas suas doutrinas, não podiam deixar de admirar aquela sublime integridade que o levou a enfrentar a morte, de preferência a violar a consciência.

       Fizeram-se diligentes esforços a fim de obter o consentimento de Lutero para uma transigência com Roma. Nobres e príncipes lembraram-lhe que, se persistisse em colocar o seu próprio raciocínio contra o da igreja e dos concílios, em breve seria banido do império e não teria então defesa. A este apelo, Lutero respondeu: "O evangelho de Cristo não pode ser pregado sem dano. ... Porque, pois, deveria o temor ou a apreensão do perigo separar-me do Senhor, e da divina Palavra, que é a única verdade? Não! Mais depressa entregaria o meu corpo, o meu sangue e a minha vida." — D’Aubigné.
       Mais uma vez insistiu com ele para que se submetesse ao julgamento do imperador, e depois nada precisaria de temer. "Consinto", disse ele em resposta, "de todo o meu coração, que o imperador, os príncipes e mesmo o mais obscuro cristão, examinem e julguem os meus livros, mas, sob uma condição: que tomem a Palavra de Deus como norma. Os homens nada têm a fazer senão obedecer-lhe. Não façam violência à minha consciência, que está ligada e encadeada às Escrituras Sagradas." — D’Aubigné.
       A um outro apelo ele disse: "Consinto em renunciar ao salvo-conduto. Coloco a minha pessoa e a minha vida nas mãos do imperador, mas renunciar à Palavra de Deus — nunca!" — D’Aubigné. Declarou estar disposto a submeter-se à decisão de um concílio geral, mas unicamente sob a condição de que se exigisse do concílio decidir de acordo com as Escrituras. "No que diz respeito à Palavra de Deus e à fé", acrescentou ele, "todo o cristão é tão bom juiz como pode ser o próprio papa, embora apoiado por um milhão de concílios." — Martyn. Tanto amigos como adversários acabaram por se convencer de que quaisquer outros esforços para uma reconciliação seriam inúteis.
       Se o reformador tivesse cedido num único ponto, Satanás e as suas hostes teriam saído vitoriosos. Mas a sua persistente firmeza foi o meio para a emancipação da igreja e o início de uma era nova e melhor. A influência deste único homem, que ousou pensar e agir por si mesmo em assuntos religiosos, deveria afectar a igreja e o mundo, não só no seu próprio tempo mas em todas as gerações futuras. A sua firmeza e fidelidade fortaleceriam, até ao final do tempo, todos os que passassem por experiência semelhante. O poder e a majestade de Deus se mantiveram-se acima do conselho dos homens, acima da potente força de Satanás.

       Pela autoridade do imperador foi ordenado a Lutero que voltasse, de imediato, para casa, e ele sabia que este aviso seria imediatamente seguido da sua condenação. Nuvens ameaçadoras pairavam sobre o seu caminho. Mas, ao sair de Worms, o seu coração encheu-se de alegria e louvor. "O próprio diabo", disse ele, "guardou a fortaleza do papa, mas Cristo fez nela uma grande brecha, e Satanás foi obrigado a confessar que o Senhor é mais poderoso do que ele." — D’Aubigné.
       Depois da sua partida, ainda desejoso de que a sua firmeza não fosse mal-interpretada, confundida com rebelião, Lutero escreveu ao imperador: "Deus, que é quem investiga os corações, é minha testemunha de que estou pronto para, da maneira mais séria, obedecer a vossa majestade, na honra e na desonra, na vida e na morte, e sem excepções, a não ser a Palavra de Deus, pela qual o homem vive. Em todas as preocupações da vida presente, a minha fidelidade será inabalável, pois perder ou ganhar neste mundo não tem nenhuma consequência para a salvação. Mas quando estão envolvidos interesses eternos, Deus não quer que o homem se submeta ao homem, pois tal submissão em assuntos espirituais é verdadeiro culto, e este deve ser prestado unicamente ao Criador." — D’Aubigné.
       Na viagem de regresso de Worms, a recepção de Lutero foi ainda mais lisonjeira do que na sua ida para ali. Nobres eclesiásticos davam as boas-vindas ao monge excomungado, e governadores civis honravam o homem que o imperador tinha denunciado. Insistiu-se com ele para que pregasse e, apesar da proibição imperial, de novo subiu ao púlpito. "Nunca me comprometi a acorrentar a Palavra de Deus", disse ele, "nem o farei." — Martyn. Não estava, há muito tempo, ausente de Worms, quando os chefes coagiram o imperador a promulgar um édito contra ele. Nesse decreto, Lutero foi denunciado como o "próprio Satanás sob a forma de homem e sob as vestes de monge." — D’Aubigné. Foi então dada a ordem para que, logo que expirasse o prazo do seu salvo-conduto, fossem adotadas medidas para deter a sua obra. Proibia-se a todas as pessoas abrigá-lo, darem-lhe comida ou bebida, ou por palavras ou atos, em público ou em particular, auxiliarem-no ou apoiarem-no. Deveria ser preso onde quer que fosse possível, e entregue às autoridades. Deveriam também ser presos os seus adeptos, e as suas propriedades confiscadas. Deveriam destruir-se os seus escritos e, finalmente, todos os que ousassem agir contrariamente àquele decreto eram incluídos na sua condenação.
       O eleitor da Saxónia e os príncipes mais amigos de Lutero tinham-se retirado de Worms logo depois da sua partida, e o decreto do imperador recebeu a sanção da Dieta. Agora, os romanistas sentiam-se felizes. Consideravam selada a sorte da Reforma.

       Mas Deus tinha providenciado para o Seu servo nesta hora de perigo um meio para lhe escapar. Um olhar vigilante acompanhava os movimentos de Lutero e um coração verdadeiro e nobre tinha decidido a sua libertação. Era claro que Roma não se satisfaria com coisa alguma senão a sua morte. Só escondendo-se é que ele poderia ser preservado das garras do leão. Deus tinha dado sabedoria a Frederico da Saxónia para idealizar um plano destinado a preservar o reformador. Com a cooperação de verdadeiros amigos, executou-se o propósito do eleitor, e Lutero foi, de maneira eficiente, escondido dos seus amigos e inimigos. Na sua viagem de volta para casa, foi preso, separado dos seus assistentes e precipitadamente transportado através da floresta para o castelo de Wartburgo, uma fortaleza isolada nas montanhas. Tanto o rapto como o esconderijo foram de tal maneira envoltos em mistério, que até o próprio Frederico, durante muito tempo, não soube para onde é que ele tinha sido conduzido. Esta ignorância não deixou de ter o seu objectivo. Enquanto o príncipe eleitor nada soubesse do paradeiro de Lutero, nada poderia revelar. Convenceu-se de que o reformador estava em segurança e com isso ficou satisfeito.
       Passou a Primavera, o Verão e o Outono, e chegara o Inverno, e Lutero ainda permanecia prisioneiro. Aleandro e os seus partidários exultavam quando a luz do evangelho parecia prestes a extinguir-se. Mas, em vez disso, o reformador enchia a sua lâmpada no depositório da verdade e a sua luz deveria resplandecer com um brilho maior.
       Na proteção amiga de Wartburgo, Lutero durante algum tempo, alegrou-se por estar livre do ardor e da agitação da batalha. Mas não poderia por muito tempo encontrar satisfação no silêncio e repouso. Habituado a uma vida de atividade e conflito severo, suportava mal a inactividade. Naqueles dias de solidão, surgia diante dele o estado da igreja, e exclamava com desespero: "Ai! Ninguém há neste último tempo da ira do Senhor para ficar diante d'Ele como uma muralha e salvar Israel." — D’Aubigné. Novamente os seus pensamentos se voltavam para si mesmo e receava ser acusado de covardia por se afastar da contenda. Acusava-se, então, de indolência e condescendência própria. No entanto, produzia diariamente mais do que parecia possível a um homem fazer. A sua pena nunca estava ociosa. Os seus inimigos, embora se lisonjeassem por ele estar em silêncio, espantavam-se e confundiam-se pela prova palpável de que ainda estava activo. Inúmeros folhetos, escritos por ele, circulavam por toda a Alemanha. Também prestava um importantíssimo serviço aos seus compatriotas, traduzindo o Novo Testamento para a língua alemã. Da sua Patmos rochosa, continuou durante quase um ano inteiro a proclamar o evangelho e a repreender os pecados e erros do tempo.

       Não foi, porém, meramente para preservar Lutero da ira dos seus inimigos, nem mesmo para lhe proporcionar uma temporada de calma para esses importantes trabalhos, que Deus tinha retirado o Seu servo do cenário da vida pública. Visavam-se resultados mais importantes do que esses. Na solidão e obscuridade do seu retiro das montanhas, Lutero esteve afastado do apoio terrestre e excluído dos louvores humanos. Foi desta maneira salvo do orgulho e da confiança em si próprio, tantas vezes determinados pelo êxito. Através de sofrimentos e de humilhação, foi de novo preparado para andar em segurança na altura vertiginosa a que tão subitamente tinha sido exaltado.
       Quando os homens se alegram na libertação que a verdade lhes traz, são levados a engrandecer aqueles que Deus usou para quebrar as cadeias do erro e da superstição. Satanás procura desviar de Deus os pensamentos e as afeições dos homens, e fixá-los nos factores humanos. Leva-os a honrar o mero instrumento, e a desconhecer a Mão que dirige os acontecimentos da Providência. Muitas vezes dirigentes religiosos, que assim são louvados e reverenciados, perdem de vista a sua dependência de Deus e são levados a confiar em si próprios. Como consequência, procuram governar o espírito e a consciência do povo, que se dispõe a esperar que sejam eles a guiá-los, em vez de esperar na Palavra de Deus. A obra de reforma é muitas vezes atrasada por causa deste espírito por parte dos que a alimentam. Deus quis guardar a causa da Reforma deste perigo. Desejava que aquela obra recebesse não as características do homem, mas as de Deus. Os olhos dos homens tinham-se dirigido para Lutero como o expositor da verdade. Por isso, ele foi afastado para que todos os olhares se pudessem dirigir para o sempiterno Autor da Verdade.

Texto extraído do Livro O GRANDE CONFLITO de Ellen White – "LUTERO PERANTE A DIETA" - Capítulo 8 (versão portuguesa). Livro publicado em 2012 pela PUBLICADORA SERVIR, Portugal.
Mas pode ler e obter grátis esse livro em 1R - (REFLEXÕES e FILMES) - Ler Online, Baixar o livro (PDF) e o audio-livro (MP3).
Ver mais material, muito bom, sobre a Reforma Protestante, um pouco abaixo do início dos links dos meus blogs.

domingo, 1 de outubro de 2017


VISITA -ESPECIAL -A -PORTUGAL -DO -MUITO -CONHECIDO -CONFERENCISTA -PASTOR -ALEJANDRO -BULLÓN



NÃO PERCA ESTAS CONFERÊNCIAS... QUE VÃO SER, COM TODA A CERTEZA, MARAVILHOSAS!!!

Para Conhecer mais sobre este extraordinário e querido Pastor da IASD pode ver a sua Biografia e Doutoramento Honoris Causa nos Links em 1R - «PESSOAS». Muito interessante!



E Delicie-se TAMBÉM com estas Doces PALAVRAS JUVENIS - mas com a Maturidade
de um CORAÇÃO de ADULTO - Repleto do AMOR DE CRISTO!

DECÁLOGO DA CORTESIA CRISTÃ

"O coração alegre aformoseia o rosto, mas com a tristeza do coração o espírito se abate. Provérbios 15:13

Versão 1 - Em Fevereiro de 1995, a Revista Adventista da Argentina publicou o que pensavam os jovens do Instituto Adventista Balcarce sobre a cortesia.
Fiquei impressionado com as ideias desta jovem estudante. Transcrevo o seu Decálogo da Cortesia que pode ajudar-nos a viver uma vida mais alegre e feliz aqui na Terra:

1 - Praticar a cortesia sem acepção de pessoas, com o objetivo de estabelecer relações cordiais com todos.
2 - Aceitar e compreender os outros, com o propósito de conquistar boa vontade que resulte em proveito para todos.
3 - Apoiar aquele que necessita de alento, fazendo-lhe sentir que faz parte da nossa família.
4 - Cuidar do meio em que vivemos para melhorar a qualidade de vida e dignificar a existência.
5 - Utilizar o melhor vocabulário e oferecer o mais amplo dos sorrisos para iluminar a vida dos outros.
6 - Evitar o costume de incomodar desnecessariamente as pessoas.
7 - Cumprir bem todas as responsabilidades que nos designarem.
8 - Cultivar um espírito serviçal em todo o momento e lugar.
9 - Incentivar a comunicação sem distinção, para melhorar a compreensão mútua.
10 - Entregar o coração a Jesus como o melhor gesto de cortesia que podemos oferecer cada dia ao nosso Redentor."

Pastor Leo Ranzolin - (leia a Versão 2 em Meditação para a Saúde)

E NADA ALEGRA MAIS O CORAÇÃO DO QUE A ESPERANÇA DE UMA VIDA MELHOR!

ACREDITE: ISSO É POSSÍVEL!

SERÁ UMA REALIDADE - SIM! - QUANDO JESUS VOLTAR EM BREVE!!!



************************

ENTRETANTO VIVA COM MUITA SAÚDE!!!



(Veja mais em Leituras para a Vida)


segunda-feira, 19 de junho de 2017




Também pode ver no LINK da IGREJA ADVENTISTA DO 7º DIA - Portugal, em Notícias:

SITUAÇÃO DE FAMÍLIAS ADVENTISTAS EM REGIÃO AFETADA PELOS INCÊNDIOS - 18.06.2017
ADRA Portugal em Pedrógão Grande, no auxílio a famílias que perderam todos os seus bens - 22.06.2017

Pode conhecer a CLÍNICA VITA SALUS em 4S - Associação Portuguesa de Medicina Preventiva.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016


"Então disseram os apóstolos ao Senhor: Aumenta-nos a fé. Lucas 17:5."

"Eles enfrentaram anos de prisão, isolamento e até mesmo de grande brutalidade. Mas os rostos que emergiram de 'algum lugar no Líbano' não eram bem aquilo que se esperava ver. Eles não pareciam abatidos pela longa provação pela qual passaram como reféns. Os seus largos sorrisos e riso fácil dizia algo totalmente diferente. ...
O que é que manteve Terry Anderson durante os 2455 dias de cativeiro? Ele disse que foi a Bíblia e a fotografia da filha recém-nascida, a quem nunca tinha visto. No cativeiro, ele redescobriu a sua fé.
O refém Benjamim Weir olhou à volta da sua cela, um dia, e notou 3 fios descarnados pendurados no teto. Por algumas razões, aqueles fios sugeriam os dedos de Deus estendidos num dos frescos de Miguel Ângelo, na Capela Sistina. Weir relembra: 'Aquilo tornou-se para mim uma representação da mão sustentadora e providencial de Deus.' ..." Mark Finley in Sobre a Rocha.

Estimado Amigo/a, não perca estas Conferências Públicas de 4 a 10 de OUTUBRO que lhe trarão, com toda a certeza, Pérolas Preciosas retiradas da Palavra de Deus - A ÚNICA DE CONFIANÇA E INFALÍVEL!!! Um abraço amigo, Edite Esteves.

(Clique na imagem para poder ler)

NOTA: PRÓXIMA POSTAGEM DESTE BLOG E DE - MEDITAÇÃO PARA A SAÚDE - AINDA SEM PREVISÃO DE DATA, POR COMPROMISSOS FAMILIARES PRIORITÁRIOS.

O  MAIOR

Artista + Projetista Inteligente + Realizador
E Mantenedor!!!



EVIDÊNCIAS  DE  UM  CRIADOR

Era um dia quente de junho de 2009. Depois de ter percorrido os corredores que conduzem da Basílica de São Pedro à Capela Sistina, encontrava-me, com centenas de outros turistas, encostado a uma das paredes, olhando para cima.
Contemplávamos as maravilhosas pinturas de Miguel Ângelo, que, a mais de vinte metros de altura, adornam a famosa abóbada, joia da arquitetura do Renascimento. Os meus olhos fixaram-se na criação de Adão e no detalhe que mostra o dedo de Deus quase a tocar o indicador da Sua primeira criatura humana. Evidentemente, Miguel Ângelo deu expressão artística à crença, aceite durante toda a história da religião cristã, de que Deus é o Criador dos seres humanos e do nosso mundo. No entanto, como resultado da influência bem-sucedida... do racionalismo sobre a mentalidade do mundo ocidental, essa crença foi abandonada por muitos. Deus foi "destronado" como Criador.
Se aceitar Deus como Criador exige o exercício da nossa fé, esta não foi deixada sem evidências suficientes sobre as quais se apoiar.
Neste artigo propomo-nos apresentar-lhe algumas delas, dado que, de facto, há evidências da existência de um Criador!

EVIDÊNCIAS NO MACRO-COSMOS

O Princípio Antrópico.
A precisão assombrosa das forças cósmicas, também denominadas constantes físicas do Universo, evidenciam o poder criador e preservador de Deus. O estado atual do Universo e o facto de que existe vida no mundo tal como a conhecemos, requer que estas constantes se ajustem a valores extremamente precisos; pois a variação mais pequena resultaria num Universo incapaz de albergar vida. Mas o que é certo é que o Universo está cuidadosamente afinado para sustentar a vida que nele existe. A Ciência descobriu e continua a estudar estas propriedades especiais que, no seu conjunto, foram denominadas "o princípio antrópico" (do grego anthropos, "ser humano"), indicando assim que, desde o seu início, o Universo foi inteligentemente preparado para receber os seres humanos. As constantes mais conhecidas são:

A força da gravidade1 e da gravitação universal.2
A força elétrica e a força magnética (eletromagnetismo).
A força nuclear forte3 e a força nuclear fraca.4

A Produção do Carbono.
O carbono é o elemento sobre o qual se baseiam todas as formas de vida conhecidas. Além de fazer parte da sua constituição, os organismos vivos absorvem-no da atmosfera.
Pois bem, duas destas forças físicas - a força nuclear forte e a força eletromagnética - cooperam eficientemente entre si para a produção do carbono (sem o qual a vida não seria possível) num processo tão preciso que é impossível que ocorra por mero acaso ou por puro azar. O facto é que a mudança mais pequena em alguma destas forças alteraria os níveis adequados de energia necessários para produzir o carbono e, como resultado, o nosso mundo não seria apto para a vida. É evidente que um Projetista Inteligente planificou o mundo, ao preparar um ambiente propício para a vida. O nosso Planeta é amigo da vida. E na revelação que Deus faz de Si mesmo na Sua Palavra escrita, a Bíblia, Ele identifica-Se como o Grande Projetista Inteligente, Criador da vida e de tudo o que existe.

A Precisão da Gravidade.
A força da gravidade tem que ser exatamente a adequada para que possamos manter-nos vivos e para que os Planetas e as estrelas existam. E não apenas para que existam, mas também para que se mantenham atraídas umas pelas outras, unidas em constelações e agrupadas em galáxias. Se a força da gravidade fosse apenas um pouco mais forte do que é, os átomos de todos os elementos que existem no nosso Planeta colar-se-iam uns aos outros, formando massas ou cachos de coisas, em lugar de formar organismos individuais e estrelas ou Planetas separados.
E se a gravidade fosse apenas um pouco mais fraca do que é, os átomos espalhar-se-iam tão amplamente que não permitiriam a subsistência de organismos vivos, nem de estrelas, nem de Planetas, nem de galáxias. Deus afirma na Bíblia que Ele "atou" as constelações, entre elas as Plêiades e Órion, de tal modo que se mantêm unidas pelo poder do Criador, que conhece as leis que regem os céus. Considere as Suas perguntas: "Por acaso podes atar os laços das Plêiades ou desatar as cordas que sujeitam Órion? Podes fazer com que as constelações saiam a tempo? Podes guiar a Ursa Maior e a Menor? Conheces as leis que regem os céus? Podes estabelecer o Meu domínio sobre a terra?" (Job 38:31-33).

As Leis Que Governam o Oceano.
O que ficou anteriormente dito aplica-se também às leis que regem o Oceano. A Bíblia afirma, sem entrar em detalhes científicos, que Deus "encerrou o mar" dentro de limites. Deus, mediante a interação das forças constantes do Universo, atribui a Si mesmo o controlo das ondas e das marés do Oceano. O Criador pergunta:
"Quem encerrou o mar com portas quando este brotou do ventre da terra? Ou quando estabeleci os seus limites e nas suas portas coloquei ferrolhos? Ou quando lhe disse: só até aqui podes chegar; daqui não passarão as tuas orgulhosas ondas" (Job 38:8, 10 e 11).
Mudar ou alterar qualquer uma destas constantes, no mínimo que fosse, conduziria a um mundo sem vida, sem água em estado líquido e sem as combinações químicas que tornam possível a nossa existência e sobrevivência.

OUTRAS CONSTANTES UNIVERSAIS:

A distância da Terra ao Sol.

Se esta distância fosse menor, a vida como a conhecemos não seria possível, devido à intensidade do calor. Se fosse maior, o resultado seria igualmente negativo, devido à intensidade do frio. É evidente que a distância que nos separa do Sol - aproximadamente cento e cinquenta milhões de quilómetros - foi medida e estabelecida por um Projetista Inteligente e um Criador Amoroso (1), de maneira suficientemente precisa para que a nossa vida na Terra não fosse apenas possível, mas também agradável.

A rotação da Terra.
A rotação da Terra sobre o seu próprio eixo, aproximadamente cada vinte e quatro horas, é outra evidência de desígnio inteligente. Não apenas garante a estabilidade dos dias e das noites. Também contribui para o equilíbrio dos Oceanos e, consequentemente, do clima e de outros processos que facilitam a nossa existência no Planeta. Diferentemente de um pião lançado por um menino, que gira sobre o seu próprio eixo e logo se detém, a rotação constante da Terra evidencia a fidelidade de Quem a criou e a mantém em movimento para nosso bem.

A posição de Júpiter.
A posição de Júpiter, o maior de entre os Planetas do Sistema Solar, tem sido compreendida como sendo "estratégica" para a proteção da Terra.
Ele cumpre uma função de "irmão maior", dado que com a sua grande massa atrai e desvia meteoritos e outros objetos provenientes do Espaço exterior, que, de outra forma, poderiam ter um impacto perigoso no nosso Planeta. Para o observador cuidadoso, esta é outra evidência de um Criador inteligente, previdente e amoroso.

A velocidade da Luz.
Por que razão a velocidade da luz é a que é? A luz é fonte de vida, mas constatou-se que, se ela se deslocasse no Espaço a uma velocidade maior do que trezentos mil quilómetros por segundo, as estrelas seriam demasiado luminosas para que a vida na Terra pudesse existir. E se essa velocidade fosse menor, as estrelas não seriam suficientemente luminosas para que a vida no nosso Planeta fosse possível. Este é outro fator que, sem palavras, fala a favor da glória e da sabedoria de um Criador que, no princípio, disse: "Haja luz! E houve luz" (Génesis 1:3).

Todos estes parâmetros, leis e medidas do nosso Universo são realidades que ficam bem expressas nas palavras do salmista David: "Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das Suas mãos. (...). Sem linguagem, sem fala, ouvem-se as Suas vozes em toda a extensão da terra e as Suas palavras até ao fim do mundo" (Salmo 19:1, 3 e 4).

CONCLUSÃO
A Criação dá evidências abundantes do seu Criador. Afirma-se na revelação bíblica: "Porque desde a criação do mundo, as qualidades invisíveis de Deus, quer dizer, o Seu eterno poder e a Sua natureza divina, se percebem claramente através do que Ele criou, de modo que ninguém tem desculpa" (Romanos 1:20).

Marco T. Terreros, Professor de Teologia.

1. No contexto do nosso Planeta, não sendo restringida a ele, a gravidade é a força com que todos os objetos são atraídos para o centro da Terra.
2. Em virtude da qual os corpos atraem-se mutuamente em proporção direta ao produto das suas massas respetivas e em proporção inversa ao quadrado das distâncias que os separam.
3. Mantêm unidos tanto os protões como os neutrões no núcleo do átomo.
4. Atua em partículas subatómicas e manifesta-se nos processos de radiação.


Leia no Blog Criacionismo, em Links 1R, "Especialistas esclarecem a maior fraude científica da História" a 13.08.2016
e "Factos Científicos que você não vê nos livros didáticos" a 15.08.2016.
Ai se o Advogado, Dr Ariano Suassina, sabe disto!... Que piadas irá dizer mais?... E com toda a razão. Com coisas seríssimas não se brinca!
E já agora veja também a postagem de 25.08.2016, "Fé e Ciência se excluem?"


LITERALISTAS   BÍBLICOS

Uma troca de impressões recente com um jovem que se queixava "do literalismo bíblico e do fundamentalismo à solta na Igreja" fez-me pensar. E foi isto que pensei:

1- Êxodo 20:11 diz: "Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou."
Soa como uma leitura bastante literalista e fundamentalista de Génesis 1 e 2, não é?

2- "Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva; e Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão" (I Timóteo 2:13 e 14).
Isto é uma interpretação de Génesis que não pode ser mais literalista!

3- Paulo deveria ter lido Rudolf Bultmann ou, já agora, Paul Tillich. Se o tivesse feito, nunca teria escrito que:
"No entanto, a morte reinou, desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura d'Aquele que havia de vir" (Romanos 5:14; veja também I Coríntios 15:22).
Paulo não apenas conecta um Adão literal a um Jesus literal, mas o contexto em Romanos 5 amarra essa conexão ao Plano da Salvação, uma doutrina crucial que nós crentes compreendemos no sentido mais literal: nós somos seres caídos que têm diante de si a destruição eterna ou a vida eterna - literalmente!

4- "Pela fé, Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e, por essa fé, depois de morto, ainda fala."

5- "Pela fé, Enoque foi trasladado, para não ver a morte, e não foi achado, porque Deus o trasladara; visto que, antes da sua trasladação, alcançou testemunho de que agradara a Deus" (Hebreus 11:4 e 5).
Parece, sem dúvida, que o autor de Hebreus acreditava que estas pessoas eram reais... e que o relato bíblico das suas histórias era verdadeiro!

6- "E (Deus) não perdoou ao mundo antigo, mas guardou a Noé, pregoeiro da justiça, com mais sete pessoas, ao trazer o dilúvio sobre o mundo dos ímpios" (II Pedro 2:5).
Será que Pedro, um profeta e um apóstolo, poderia ter, de facto, aceitado a história de Noé tal como ela se lê em Génesis? Não há dúvida que sim!

É claro que, se alguém sabia como interpretar a Bíblia, essa pessoa era Jesus. Era Ele um literalista bíblico, igual àqueles de que o meu jovem amigo se queixou?
Bem, Jesus realmente disse:


7- "E, como foi nos dias de Noé, assim será, também, a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio e os levou a todos, assim será, também, a vinda do Filho do homem" (Mateus 24:37-39).
Jesus não só acreditava na história de Noé; Ele deu-lhe um significado teológico acrescido ao ligá-la à Segunda Vinda, uma doutrina crucial que nós, adventistas, interpretamos no sentido mais literal possível.

8- "Ele (Jesus), porém, respondendo disse-lhes: Não tendes lido que Aquele que os fez no princípio, macho e fêmea os fez, e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim, não são mais dois, mas uma só carne" (Mateus 19:4-6).
Eis um uso bastante literalístico da história da Criação, uso que procede do próprio Jesus, não é?

9- "Pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra" (Mateus 12:40).
Jesus não apenas acreditava na história de Jonas, como a ligava diretamente à Sua ressurreição - outra doutrina crucial que os Adventistas interpretam literalmente.

Nós dizemos que a Bíblia se interpreta a si mesma e que, pelo estudo da Bíblia, podemos aprender a interpretá-la corretamente. E embora possamos trazer sempre alguma bagagem pessoal, algumas pressuposições pessoais, para tudo o que fazemos, incluindo a hermenêutica bíblica, os exemplos que citei mostram que estes autores bíblicos - até mesmo o próprio Jesus (que chega até nós por intermédio de autores bíblicos) - interpretaram as Escrituras literalmente.

Se foi assim que eles fizeram, não parece bastante razoável que façamos o mesmo, apesar do queixume do meu jovem amigo?

Clifford Goldstein, Editor do Manual da Escola Sabatina mundial.



JESUS  CRISTO  É  DIVINO

"Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente." (I Coríntios 2:14).

Tal como o apóstolo Paulo escreveu, por vezes é muito difícil ao homem natural compreender as coisas de Deus. Em resultado disso, o homem inventa teorias completamente erróneas apenas para satisfazer os seus intentos. A compreensão da divindade de Jesus Cristo é algo que transcende qualquer ser humano. A primeira grande verdade que deveríamos aceitar é que Jesus tem duas naturezas, a divina e a humana.
Apenas aqueles que usufruem da presença do Espírito Santo na sua vida, pela fé, aceitam, mesmo sem compreender totalmente, a dimensão poderosa e misteriosa da Deidade Trina.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia  acredita  e  ensina  que  Jesus  é  completamente  humano  e  completamente  divino.

Em Colossenses 2:9, o apóstolo Paulo escreveu: "N'Ele habita corporalmente toda a plenitude da divindade." Mas enquanto viveu nesta Terra, Cristo fê-lo plenamente como humano, não tendo feito uso da Sua divindade, pois apenas assim seria o exemplo perfeito para a Humanidade pecadora. No entanto, gostaria de lembrar o texto de João 1:14: "E o Verbo Se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a Sua glória, como a glória do unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade." Jesus nem sempre foi homem, mas sempre foi Deus.
Jamais poderia ter havido algum tempo no passado em que Ele Se tenha tornado Deus. Ellen White escreveu no seu livro Mensagens Escolhidas, vol. I, p. 296, o seguinte: "'N'Ele estava a vida, e a vida era a luz dos homens' (João 1:4). Não é a vida física que é aqui especificada, mas a imortalidade, a vida que é exclusivamente propriedade de Deus. O Verbo, que estava com Deus e era Deus, possuía essa vida. A vida física é algo que todo o indivíduo recebe. Não é eterna ou imortal; pois Deus, o doador da vida, toma-a outra vez. O homem não tem domínio sobre a sua vida. A vida de Cristo, porém, não era de empréstimo. Ninguém pode arrebatar-Lhe essa vida. 'Eu de mim mesmo a dou' (João 10:18), disse Ele. N'Ele havia vida, original, não tomada por empréstimo, não derivada. Essa vida não é inerente ao homem. Este só a pode possuir mediante Cristo."

Conhecendo Deus a complexidade do tema, Ele revelou através de toda a Bíblia que Jesus não é um ser criado, mas é Deus junto de Deus, o Pai, e junto de Deus, o Espírito Santo. O apóstolo Tomé, ao ver Jesus ressuscitado, disse: "Senhor meu e Deus meu!" (João 20:28).

Pode ser difícil para alguns aceitar a existência de um Deus Trino, mas a verdade é que Deus é composto por três Pessoas distintas: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Cada um deles é uma Pessoa, mas partilham exatamente a mesma natureza divina.

Só pela fé poderemos compreender este maravilhoso Deus Trino. Tendenciosamente, algumas pessoas querem compreender o que jamais poderá ser compreendido - agora, e, por isso, Paulo escreveu: "Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que O amam" (I Coríntios 2:9).

Se não entendermos a verdade sobre a Trindade, cometeremos um grave erro sobre a verdadeira identidade do nosso Salvador. Se acreditarmos que Jesus Cristo não é divino ou que o Espírito Santo também não o é, estamos a incorrer numa heresia. "Se alguém ensina alguma outra doutrina, e se não a conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, é soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, blasfémias, ruins suspeitas, perversas contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais" (I Timóteo 6:3-5). (ênfases acrescentadas)

António Rodrigues, Teólogo e Pastor, Presidente da UPASD (União Portuguesa dos Adventistas do Sétimo Dia). Artigo excepcional!!! Muito Obrigada! EE

Os 3 textos apresentados são da Revista Adventista deste mês, agosto de 2016, Publicadora SerVir - à sua disposição! Está na Net.

LOUVOR  A  JESUS  CRISTO,  O FILHO,  NOSSO  DEUS

       

Pode ainda deleitar-se com o vídeo Conheça o Espírito Santo nos Links 1R, Site Terceiro Anjo (procurar a pág.), e desfrutar da bela explicação do Pr Henry Feyerabend, infelizmente já falecido. Num dos seus livros Tantas Religiões! Porquê? ele escreve a propósito da sua dificuldade com a nossa língua: "Parece que desde que entrei no ministério, Deus ordenou que eu deveria estar em contacto com Portugueses. Nasci nos Estados Unidos mas cresci no Canadá. O primeiro distrito em que fui pastor, em 1953, foi Massachusetts, onde havia muitos portugueses. Ainda assim, não pensava que um dia viesse a aprender a língua portuguesa, nem a pregar em português, ainda que com sotaque e alguns erros, mas sei que conto com a compreensão dos amigos portugueses, espalhados pelos quatro cantos do mundo, e que estão no meu coração."
Mais um querido Pastor que também tive o privilégio de conhecer e ouvir, amado de muitos portugueses, eternamente agradecidos, por esse mundo fora. Sempre lembrado! Graças a Deus, que temos a alegria de saber que um dia poderemos reencontrar-nos de novo com ele no Reino dos Céus e ouvir mais das suas infindáveis, interessantes e comoventes histórias de vidas transformadas, positivamente, pelo poder de Deus.
Esta e as palestras dessa semana talvez tenham sido as últimas que fez, porque vê-se que estava mais magro e já apoiado num andarilho. E com mais dificuldade a falar, talvez fraqueza, cansaço, por causa de uma doença muito grave que o levou à morte. Mas mesmo a doença não o impediu de fazer o que mais gostava (e o muito tempo que usava para explanar a mensagem...) falando de todo o coração - de Deus e da Sua Palavra! EE

terça-feira, 26 de julho de 2016

MENSAGENS PARA O DIA DOS AVÓS


A CONTA CORRENTE DOS TALENTOS

     A primeira conta corrente que eu gostaria de examinar com você é uma conta enorme chamada "TALENTOS". E antes que você passe adiante pensando: "Esta conta corrente não é para mim porque não tenho nenhum talento", deixe-me falar-lhe de uma experiência que tive há alguns meses. Eu cantava e falava para as Mulheres Evangélicas da Capela de uma base do Exército em Okinawa.
     No começo do meu programa, eu disse, depois de cantar, que falaria sobre os talentos. Percebi que algumas, talvez muitas, das mulheres ao ouvirem a palavra "talento" pensariam: Bem, isso me deixa de fora - não tenho nenhum talento!
     Eu contava com o Senhor para que realmente falasse por meu intermédio uma vez que muitas mulheres têm o problema de uma baixa avaliação do seu valor próprio.
     Uma das primeiras mulheres que me procuraram depois da reunião foi uma bela senhora cujos olhos brilhavam e reluziam cheios de lágrimas.
     - Sabe de uma coisa, Joyce, - começou ela, - quando você disse que ia falar sobre talentos hoje, quase me levantei para sair, pois, se há uma coisa que não tenho, é isso. Mas, mesmo assim, fiquei. Estou contente por ter ficado, pois enquanto você falava, Deus foi apontando um talento após outro em minha vida. Eu não tinha ideia de que existiam. Fiquei profundamente comovida e convencida. Pedi ao Senhor que me perdoasse por não tê-los reconhecido, e estou saindo desta reunião sentindo-me útil e sabendo que sou necessária. Estou ansiosa para atingir alguns alvos na vida.

     Ela não foi a única mulher que viera à reunião sentindo-se incapaz e sem talentos. Muitas mulheres creem honestamente que não têm nenhum talento dado por Deus e, o que é pior, nenhum conceito de valor próprio.
     Um pastor me disse recentemente que 50% das mulheres que o procuram para aconselhamento fazem-no por causa dos seus sentimentos de inutilidade, ausência de talentos e nenhum propósito verdadeiro na vida.
     A mulher que falou comigo em Okinawa caíra na armadilha comum de definir como talento apenas a habilidade de tocar piano, cantar ou pintar quadros, quando, na realidade, o talento é uma habilidade natural, dada por Deus, de fazer alguma coisa, qualquer coisa, bem feita.
Talvez você pergunte: "Ótimo, quais são as 'algumas coisas que eu faço bem' em minha vida?"

Eis aqui uma lista de exemplos:
1. O talento de ser alegre - particularmente quando nada vai bem, quando você passou o dia todo na cidade e todos foram grosseiros com você.
2. O talento de ser hospitaleira - de abrir a sua casa e receber anjos (ou adolescentes), mesmo quando o seu sofá está todo puído, a sala de visitas precisando de pintura, ou você tenha começado a pagar as prestações de um macio carpete branco.
3. O talento de saber como fazer o seu marido sentir-se o homem mais simpático, mais sábio e mais inteligente da cidade, mesmo quando você, mais do que qualquer outra pessoa viva, conhece todas as suas fraquezas e defeitos.
4. O talento de falar com amor e tato. Conheço uma mulher que, quando quer, consegue passar-lhe uma reprimenda com tanto tato que você só percebe três semanas depois. Isso é verdadeiro talento!
5. O talento de começar um curso de pintura a óleo, de costura ou vendas e terminá-lo. Isso exige o talento da autodisciplina!
6. O talento de forrar seus próprios móveis, de acrescentar botões diferentes a um vestido comprado feito, ou de pegar um molde e fazer roupinhas de nenê para o projeto missionário, ainda que o fazer uma costura reta nunca tenha sido o seu ponto forte.
7. O talento de chegar na hora. É um talento raro hoje em dia.
8. O talento de transmitir amor sem palavras - através de um olhar, uma palmadinha no braço, um sorriso, ou simplesmente tendo a paciência de olhar o desenho de uma criança.
9. O talento de descobrir o que "agrada" a cada membro de sua família e fazê-lo regularmente. Em nossa família, Rick é louco por um café bem reforçado pela manhã. Laurie gosta de sopa de cebolas e Dick acha que eu deveria andar com ele em nossa motocicleta, por isso faço tais coisas regularmente. É lindo agradar àqueles que amamos.
10. O talento de ouvir quando alguém fala. Um surpreendente número de pessoas nunca ouviu falar neste talento, mas quando descobrimos um amigo que o tenha, você nunca enjoa dele! Você fica pasma e o seu amor por ele aumenta.
11. O talento de ver os seus filhos jogarem os livros escolares, pedindo a Deus a sabedoria de lhes dizer sabiamente: "Oi, como foi a aula de hoje?"
12. O talento de fazer molho sem grumos como a minha sogra sabe fazer.

     Estes são doze talentos que me saltaram à mente enquanto eu escrevia. Mas há muito, muito mais. Você já descobriu algum em sua própria pessoa? Se não descobriu, faça sua própria lista. Os talentos não têm fim. Vamos retroceder um pouco ao primeiro talento - o talento de ser alegre.
     É fácil ser alegre e bondosa para com pessoas agradáveis e de fácil convívio, mas se Deus lhe deu este talento, você se diverte muito simplesmente fazendo compras, indo ao banco e cumprindo outras tarefas desse género. As oportunidades de sermos joviais são infinitas!
     A grande vantagem deste talento é o testemunho poderoso que ele proporciona.
     Há três anos que estou ativamente ocupada em apresentar Cristo a duas moças da caixa de um loja, três garotos de entrega do supermercado e três ou quatro caixas no banco. Oro por eles regularmente e anseio que entreguem suas almas a Deus - ainda que alguns deles nem tenham ideia de que os seus nomes se encontram na minha lista de orações diárias. Sempre que me encontro com eles dou testemunho, sorrio e ouço atenciosamente (nem sempre nesta ordem) e Deus tem produzido alguns milagres especiais em algumas vidas. É verdade que, num caso, Deus usou o meu primeiro livro, mas, além disso, meus talentos de cantar e tocar piano não foram usados. Para dizer a verdade, nenhuma vez, nestes três últimos anos de compras e idas ao banco, entrei empurrando o meu piano e dizendo: "Tenho algo para vocês! Vou usar o talento de tocar piano que Deus me deu para lhes dar um testemunho." Também não subi no balcão a fim de cantar alguns números e usar os meus talentos! Na verdade, alguns daqueles que inspirei e alcancei este ano, nunca me ouviram cantar e é bem provável que nunca fiquem sabendo desses talentos.
     Os talentos que eles viram são de natureza bem diferente.
     Esses outros talentos começam a agir quando me aproximo da caixa do supermercado e surpreendo a moça perguntando-lhe: "Oi, como vai?" Ela é paga para ser educada - eu não!
     Um dia, no banco, depois que eu disse: "Oi, como vai?" a caixa largou o lápis, sacudiu a cabeça e disse:
     - Joyce, você é demais! Você não é como os outros cristãos que eu conheço.
     Eu não sabia exatamente como entender as palavras dela, por isso perguntei:
     - O que você quer dizer?
     - Você irradia (ela tropeçava nas palavras porque estava em território desconhecido), ah, amor cristão. Se eu não soubesse que você é religiosa, jamais teria adivinhado que é cristã. Você é alegre, bondosa, tem senso de humor.
     - Você quer dizer que os outros cristãos não são assim? - perguntei.
     - Não quando vêm ao banco - retrucou.
     Que comentário triste sobre companheiros cristãos!

     

     O talento de ser alegre, sorridente e agradável, mesmo quando está chovendo canivetes de problemas, foi o talento de Paulo e Silas - particularmente quando eles cantaram na prisão! Foi uma habilidade dada por Deus que os fez cantar apesar de tudo.
     É bem possível que, se o seu talento é a jovialidade ou qualquer outro da minha lista, você nunca fique famosa! Talvez ninguém escreva um livro sobre a sua vida, nem canções lhe sejam cantadas ou dedicadas, mas o Deus que tudo vê e tudo sabe, mantém registos perfeitos. Ele não classifica a sua habilidade de cozinhar esplendidamente, de assar uma torta de damasco, de puxar o saldo do talão de cheques, de medicar um joelho esfolado, de criar, ensinar e educar crianças, de ser uma bibliotecária, secretária ou balconista, como não sendo talentos.
     Pelo contrário, através de Paulo temos estas palavras: "Nunca posso deixar de agradecer a Deus todos os dons magníficos que Ele lhes concedeu, agora que vocês são de Cristo: Ele enriqueceu-lhes a vida inteira... Agora vocês desfrutam de toda a graça e todas as bênçãos; pertence-lhes todo o dom espiritual e todo o poder para executar a vontade Dele durante este período de espera pela volta de nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Coríntios l:5, 7, O Novo Testamento Vivo).

     Temos a inclinação de ficar desanimadas com o nosso preconceito sobre quais são os talentos realmente importantes e, na confusão, perdemos o plano de Deus para a nossa vida.
     Há pouco tempo alguém perguntou ao nosso filho Rick:
     - Como é que você se sente tendo uma mãe tão bonita e talentosa?
     Ele respondeu muito naturalmente:
     - É ótimo, mas você deveria experimentar o frango com bolinhos que ela faz.
     Realmente apreciei a resposta dele, em parte porque o "talento" de fazer frango com bolinhos veio depois de muita prática, mas principalmente porque fiquei sabendo que, em sua mente, o talento de cozinhar era tão importante quanto cantar, se não maior.
     Talvez você simplesmente não consiga imaginar que fazer frango com bolinhos seja um talento. Contudo, acho que é preciso muito talento para ser esposa e mãe hoje em dia. Se não é talento, por que em alguns países, 50% dos casamentos estão terminando em divórcio? Se não é preciso talento para assar uma torta gostosa, por que são tantos os lares e restaurantes que servem tortas de qualidade tão inferior - quando servem? Se não é preciso talento para criar filhos, por que a delinquência juvenil está aumentando? Se não é preciso talento para ser professor de *Escola Dominical, por que o superintendente vive implorando por mais obreiros o tempo todo?

     Sim, eu estou simplificando demais, mas você captou a mensagem, não captou? É preciso talento até mesmo para fazer bem as tarefas mais simples.
     Pense em sua própria vida um pouquinho. Não há alguma coisa especial que você faz e que certamente poderia ser chamada de talento?
     Depois de me ouvir dizer isto um dia destes, uma amiga sacudiu a cabeça afirmativamente e disse:
     - Vou dizer-lhe uma coisa. A mãe que simplesmente ouve a filha estudando suas lições de piano e consegue manter a sua sanidade mental e o seu senso de humor, está demonstrando um enorme talento dado por Deus.

     Lembro-me também de outra mulher que me disse:
     - Oh! naturalmente você sabe quais os talentos que Deus deu a você, mas Ele nunca me disse quais são os meus e estou com cinquenta e um anos de idade, portanto é um pouquinho tarde para tentar descobrir.
     - A senhora é casada? - perguntei.
     - Sim - respondeu.
     - Tem filhos?
     - Sim, oito. - Ela o disse totalmente desinteressada.
     Pedi-lhe que falasse sobre eles.
     - São todos filhos maravilhosos - disse. Alguns já estão casados. Alguns são médicos, outros são pastores e um é missionário.
     Era incrível. Ali estava ela, dizendo: "Coitada de mim, não tenho nenhum talento", quando produzira oito seres humanos fabulosos e dignos, que estavam vivendo dentro do plano de Deus! Por isso, não pude conter-me e fui dizendo:
     - Não me diga que isso não é talento?! Ou será que os seus filhos simplesmente cresceram como mato que não precisa de água nem cultivo? A senhora não os alimentou nem os vestiu física, mental e espiritualmente? A senhora não lhes deu surras? Não os elogiou, não lhes deu amor e o benefício da sabedoria de Deus? Não pagou lições de canto, piano e clarinete? Isso não é ser "mãe profissional" exatamente como eu sou "profissional de música" porque canto e toco? Quem se atreve a dizer que para isso não é preciso talento?
     Peço a Deus que você deixe que Ele lhe abra os olhos para os talentos singulares que Ele lhe deu, para o benefício do mundo no qual você vive. Talvez você não seja rica nos meus talentos, mas eu também não sou rica nos seus. Todos os talentos vêm de Deus. É o que você faz com eles que realmente conta.


     

     Você se lembra do garoto que deu a Jesus o seu lanche de cinco pães e dois peixes? Mal dava para alimentá-lo e mais a um amigo, quanto mais os milhares de pessoas que estavam lá naquele dia! Mas ele deu o que tinha. Daquele momento em diante - o momento da entrega do que ele tinha - Jesus fez o restante!
     Não fique sentada no conforto da rotina dizendo que você não tem talentos; antes, peça a Deus que use o que você já tem, que a torne vitalmente consciente das habilidades especiais que Ele queira desenvolver.
     Agora, vamos imaginar que, nestes últimos momentos Deus lhe revelou verdadeiramente algumas áreas de sua vida em que você tem habilidades especiais. Como você vai enfrentar isso? Vai ficar convencida ou exageradamente humilde? Qual será a sua atitude?

     A chave que realmente abre a Conta Corrente dos Talentos encontra-se nas Bem-Aventuranças.
     Eu nunca havia examinado as Bem-Aventuranças, relacionando-as comigo mesma, até que li um maravilhoso artigo chamado "As Bem-Aventuranças para as Mulheres", escrito por minha amiga Colleen Evans. Cantei e falei na Primeira Igreja Presbiteriana de La Jolla, na Califórnia, onde o marido dela era pastor. Junto a cada prato havia um exemplar das suas "Bem-Aventuranças". Elas me deram um vislumbre da conta corrente repleta de habilidades, por isso comecei a estudar seriamente aquelas palavras notáveis de Jesus.
     A bem-aventurança que me dominou o coração no que se refere aos talentos foi aquela que fala da humildade. A tradução de Phillips diz: "Como são felizes os que têm espírito humilde." Nenhuma outra palavra está tão desgastada nos círculos cristãos e tão mal empregada como a palavra "humilde". Os sermões sobre ela vão de um extremo ao outro. Um pregador destaca que somos todos como "vermes" e totalmente indignos. O próximo nos diz que somos poderosos, que "podemos todas as coisas". Cansei-me de ficar imaginando como encontrar o equilíbrio da humildade, por isso comecei a buscar versículos bíblicos que me indicassem qual a orientação que Deus nos deu.
     Infelizmente, a palavra "humilde" em geral está ligada com os talentos. É quase como dizer que a humildade não constitui um de seus problemas, uma vez que você não tem talento. Mas todos nós precisamos de humildade em nossa vida; ela age como lentes que colocam as coisas no seu devido foco. Como Colleen Evans diz: "Feliz é a mulher que sabe que sem Deus ela não é nada! Mas com Deus ela tem grande potencial e forças!"

     Você não precisa de ter complexo de inferioridade. Saiba que Deus pagou um preço fantástico por você, embora não lhe devesse nada, para se dizer a verdade! Ele poderia deixá-la abandonada tropeçando por aí, atravessando com dificuldades um problema depois do outro, vivendo um dia horrível após o outro, mas Deus, por causa do Seu grande e obstinado amor; escolheu importar-se com você - resgatando-a e entregando-Se a você. E Ele também deu talentos a cada uma de nós!
     Sei perfeitamente que Deus me deu a capacidade de cantar; e sei igualmente que não tenho nenhum talento para arrumar o meu próprio cabelo. Também sei que posso preparar repolho recheado à húngara (Tolto Kaposzta) de maneira perfeita e que sei tocar três acordes no violão, embora o quarto não saia dos meus dedos por mais que eu pratique. O que estou querendo dizer? Exatamente isto: Conheço minhas habilidades e sei das minhas limitações. No momento em que confundo ou distorço estes fatos, a humildade sai pela janela.
     Na primeira vez em que cantei um solo numa grande igreja da Costa Oeste, tinha treze anos de idade. Realizei, como minha mãe sucintamente resumiu, "um bom trabalho" e, depois do culto, três senhoras aproximaram-se de mim. Uma disse: "Querida" (ali estava a minha primeira dica - eu sabia o que ia receber). Elas não disseram nada sobre o meu hino ou minha apresentação. Simplesmente disseram o seguinte: "Vamos pedir a Deus que a mantenha humilde."
     Este é o elogio mais dúbio do mundo. Numa simples sentença, eleva você às alturas e, ao mesmo tempo, atira-a ao chão. Aquelas senhoras colocaram-me em posição de quase precisar de pedir desculpas pelo meu talento. Daquele dia em diante, quando as pessoas me agradeciam após eu ter cantado, eu dizia: "Oh! não sei cantar; realmente tenho muito ainda que aprender, etc., etc.", esperando que elas me achassem humilde.
     Só depois que me tornei cristã é que pude honestamente enfrentar o facto de que Deus me deu uma voz e que algumas pessoas, após ouvi-la, ouviam o Senhor falando. Quando elas me elogiavam, eu podia dizer com sinceridade: "Obrigada, o Senhor é maravilhoso, não é? Sem Ele não sou nada, é verdade, mas eu não sou sem Ele. Eu sou com Ele.
     Paulo ajudou tremendamente na minha atitude quando disse: "Procurai... considerar sem exageros as possibilidades que tendes" (Romanos 12:3, Phillips).
     Eis aí, um versículo com dois mil anos de idade e acertando bem no alvo. Sem exagero! Muito poucas mulheres têm a capacidade de considerar sem exageros os seus talentos ou a vida em geral. Esse mesmo versículo na Edição Revista e Atualizada diz que cada um deve pensar de si mesmo "com moderação", nunca se subestimando ou superestimando.

     

     O oposto da humildade é a presunção! Conheço diversos músicos que são presunçosos e extremamente temperamentais por causa disto. Mas a presunção deles é do tipo óbvio. Eu gostaria de escrever sobre o tipo de presunção subtil que habita em certas mulheres (e homens também) hoje em dia. São as mulheres que estão sempre dominando o marido, os filhos e todo o cenário.
     Jantamos uma vez com uma dessas mulheres. Ela nos disse a que restaurante ir, onde estacionar e onde aguardar o maitre. Seu marido ficou de lado quietinho, tomando muito cuidado com o que dizia e fazia, tentando não atrapalhá-la. Ela fez o pedido para cada um de nós e, depois da refeição, disse-nos quando sair. Ela tinha mais de oitenta anos de idade e fazia tudo isto com elegância, mas isto não disfarçava o fato de que ela achava que sabia todas as coisas que havia para saber ali naquele lugar. Ela derrubava as ideias, os pensamentos e as opiniões de todos os outros. Cabia-lhe, simplesmente, dizer a última palavra. Exagerara tanto os seus talentos e capacidades que a sua presunção se desenvolvera em tirania e a ausência de humildade a tornava extremamente sem atração.
     Que desperdício, pensei. Era uma mulher interessante e tinha oitenta anos de experiências que poderia partilhar conosco; mas estava tão ocupada chamando a atenção e fazendo as pessoas saltar diante de suas ordens que realmente nunca chegamos a conhecê-la.

Precisamos do delicioso equilíbrio das palavras de Paulo para "considerar sem exagero as nossas possibilidades". Precisamos ser sensatos e honestos quando procuramos usar os nossos talentos.
     Quando escrevia este capítulo eu me encontrava no Acampamento Cristão de Hume Lake, nas belas montanhas acima de Fresno, na Califórnia. Uma tarde falei num chá para a Sociedade Auxiliadora de Senhoras de Hume Lake. Afastei-me das minhas costumeiras anotações e perguntei se podia falar-lhes sobre um pedaço do novo livro que estava escrevendo (este). Participei-lhes meus pensamentos sobre a humildade e convidei-as a dar ideias.
Mais tarde, uma talentosa amiga, Bobby Romis, disse que gostaria de partilhar um pensamento comigo.
     Bobby abriu o Antigo Testamento na conhecida passagem de Provérbios 31 sobre "A mulher virtuosa". Quando chegou ao versículo dezoito, ela disse:
     - Enquanto você falava sobre humildade e talento, lembrei-me deste versículo: "Ela percebe que o seu ganho é bom; a sua lâmpada não se apaga de noite. Estende as mãos ao fuso, mãos que pegam na roca."
     Então Bobby levantou os olhos da leitura e disse:
     - Que mulher! Ela viu sua mercadoria e sabia - sem desculpas ou vanglórias - que era coisa boa.
     O equilíbrio de considerar sem exagero é o que obviamente encontramos aqui. Então Bobby continuou:
     - Por outras palavras, ela poderia ser a moça para a presidência da Feira Anual de Hume Lake. Ela saberia como fazê-lo e criaria comissões envolvendo as melhores mulheres que pudesse encontrar, trabalharia até tarde da noite para que a Feira fosse um sucesso ("... a sua lâmpada não se apaga de noite...") e, terminada a Feira, ela saberia que "o seu ganho é bom" e iria para casa pegar na roca!
     - Olhe para ela. Vai para casa depois de ser a presidente genial e esforçada da feira de fiação de lã. Ela não se sente insultada pela mudança de posição, nada de autopiedade; e como o fiar da lã não exige nenhum esforço mental, ela provavelmente aproveita o tempo para orar pelo marido, pelos filhos e pelos negócios. Que mulher! Ela sabe que os seus talentos são bons, permanece firme para aproveitá-los e é belamente capaz de ficar em casa fiando lá no dia seguinte.
     Bobby concluiu dizendo:
     - Sinto que Deus estabeleceu um padrão para nós nestes dois versículos: honestamente tomar conhecimento de nossos talentos fora do lar; esforçar-se para que sejam aproveitados; e, então, sem nenhum problema de ajustamento, assumir a rotina do dia. Precisamos de momentos de solidão, sim, quando costuramos, passamos roupa, lavamos a louça, aproveitando esses momentos para renovação de nossas forças e para orar pelos membros queridos de nossa família.

     Quando Bobby terminou suas considerações sobre este padrão de equilíbrio, pensei no incontável número de vezes em que eu dei concertos, falei a centenas de mulheres, ou aconselhei mulheres e adolescentes e, então, tive de voltar para casa, para o meu silencioso quarto de costuras, para passar roupa e orar sobre ela. (Erma Bombeck, minha humorista favorita, diz que é sobre a tábua de passar roupa que ela consegue suas melhores ideias para escrever). Quando passo o colarinho da camisa de Dick sempre oro pelos músculos daquele pescoço cansado por causa da tensão. A manga que abriga o braço com o qual escreve recebe mais oração e a parte da frente que cobre o seu coração recebe amor e orações. Conheço o lugar exato nas costas da camisa que escondem uma vértebra tensa, por isso oro especialmente por esse lugarzinho. A seguir vem a camisa do Rick e, então, um vestido de Laurie, e por todos eles eu oro. Quem pode dizer que o concerto precisou de mais talento do que o passar roupas? Eu não!
     Todo este capítulo sobre o talento pode ser resumido num excitante versículo: "Deus deu a cada um de vocês algumas capacidades especiais; estejam certos de as estarem utilizando para se ajudarem mutuamente, transmitindo aos outros as muitas espécies de bênçãos de Deus" (1 Pedro 4:10, O Novo Testamento Vivo).

     Se dizemos que não temos habilidades especiais, chamamos Deus de mentiroso. Se a nossa motivação de sermos usados não é ajudar uns aos outros, então não seremos "vasos apropriados" para o uso divino. Se pensamos que o talento se resume em cantar e tocar piano, estamos roubando aos outros "as muitas espécies de bênçãos de Deus".

     Nossa vida neste mundo do século vinte não tem de ser uma existência sem graça, sem valor, do tipo "Zero", mas a porta de uma vida real, criativa, permanecerá fechada se as dobradiças não forem untadas com uma avaliação "sem exagero das nossas possibilidades".
     Pare imediatamente com a velha e cansativa rotina do "coitadinha de mim, não tenho talentos" e comece a examinar atentamente as suas habilidades especiais.
Embora não seja preciso muito esforço para convencê-la de que os seus talentos musicais não são grande coisa, talvez você se descubra na cozinha examinando suas especialidades culinárias. Você sabe quanto talento é necessário para se fazer um molho sem pelotas?
     Lembra-se da senhora em Okinawa? Ela pediu ao Senhor que Se inclinasse sobre ela e tocasse em sua visão para que ela pudesse perceber claramente 5 seus talentos. Ela não saiu imediatamente para comprar um piano a fim de tocar e cantar; simplesmente foi para casa, sentindo com renovada alegria sua própria diqnidade e valor e conhecendo os seus próprios talentos. Era uma bela mulher antes do culto naquele dia, mas positivamente saiu mais ereta e mais radiante depois da reunião.
     Você pode receber a mesma alegria e radiância, o mesmo sentimento de valor próprio que ela recebeu se tão somente você deixar que Deus abra os seus olhos para as suas próprias habilidades especiais.

Joyce Landorf (imagem inicial) no seu livro A Mulher Mais Rica da Cidade, Editora Vida.

(As 12 imagens giríssimas são da net. Não tenho o talento da culinária e para estas maravilhas, muito menos... Mas sou muiiito feliz na mesma! Só preciso de ter Deus no coração, e senti-Lo na vida dos que amo. EE)



QUE FORÇA EXTRAORDINÁRIA! GRANDES AVÓS!!!

Em Tudo Dai Graças
"Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco." I Tessalonicenses 5:18.


Nossos vizinhos de 80 anos de idade estão passando por uma sequência de infortúnios.
- Em setembro, seu neto de 20 anos de idade, um rapaz inteligente cursando o último ano da faculdade, morreu num acidente de trânsito. "Deus é tão bom!", disseram eles entre lágrimas. "Não sabemos porque aconteceu essa tragédia, mas somos gratos porque Tim morreu instantaneamente. Não sofreu nem ficou com graves problemas de saúde para o resto da vida. Tim amava ao Senhor - mas quem sabe o que poderia acontecer no futuro?"
- Três meses depois, nossos vizinhos voltavam de um passeio e encontraram a rua bloqueada por carros de polícia, uma ambulância, camiões de bombeiros e serviços de emergência. Uma jovem estudante havia perdido o controle de seu veículo e batera contra a casa daquele casal idoso, causando extensos danos. "Alguém se machucou?" foi a primeira pergunta dos velhinhos. Quando os informaram que ninguém saíra ferido, suspiraram aliviados. "A casa está no seguro e os danos podem ser reparados. Graças a Deus porque ninguém se machucou e porque não estávamos em casa quando tudo aconteceu. Um de nós os dois com certeza estaria lá dentro, no lugar onde a parede desmoronou."
- Seis semanas mais tarde, a vizinha caiu e fraturou um braço. Sofreu muito e seu braço ainda está engessado. Ela dispensou nossos lamentos, dizendo: "Ainda bem que não foi meu braço direito!"
- No dia seguinte, quando nossos vizinhos iam visitar uma filha, o carro deles emperrou por falta de lubrificação. Ficaram dez dias sem transporte enquanto o veículo estava na oficina a arranjar. Quando receberam a conta no valor de 3000 dólares, admitiram para nós, chocados: "O concerto custou bem mais do que esperávamos. Mas graças a Deus, temos o dinheiro para pagá-lo."
Sim, meus vizinhos cumprem literalmente a ordem de Paulo: "Em tudo dai graças." Não restrinjamos nossos agradecimentos às bênçãos recebidas. Procuremos descobrir razões de expressar gratidão em todas as experiências, boas ou más. "Dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo." Efésios 5:20.

Goldie Down in Meditação da Mulher (Devocional de mulheres, escrito por mulheres) Do Fundo do Coração, 17 de novembro de 1999, compilação de Rose Otis, Casa Publicadora Brasileira. A autora do texto "é escritora e mora na Austrália com seu esposo pastor. Foram missionários na Índia por 20 anos. Ela faz trabalho voluntário no Hospital da sua cidade e dá aulas de redação criativa para jovens, à noite. Goldie já publicou mais de 20 livros, inclusive um livro de texto de redação usado em escolas públicas."

VEJA  A  TERNURA  DESTES  QUERIDOS  POLÍCIAS... QUE  BONITO!



*E a propósito da Escola Dominical, o Dr Rodrigo Silva, Professor Universitário de Arqueologia
e Teologia vai ensinar-nos muito. Preste Atenção!



(Pode Ver e Ler Muito Mais no Seu Excelente Blog EVIDÊNCIAS em 1R)